26/01/2018

O Mundo Pós-aniversário

Da Lionel Shriver
Desde que li Precisamos Falar Sobre o Kevin, quando tinha uns 14/15 anos, Shriver tem sido uma autora por quem desenvolvi uma atração platônica que teve poucas chances de chegar a algum tipo de consumação, uma vez que não topei com mais de seus livros, embora nutrisse muita curiosidade por todos depois de ter achado o título que a consagrou uma obra-prima ou quase. Mas recentemente a biblioteca que frequento adquiriu novos exemplares, e entre eles eu encontrei esse aqui, felicíssima ao reconhecer o nome que encabeça a capa.
No mundo pós-aniversário conhecemos Irina McGovern, uma ilustradora infantil com um relacionamento de longa data (9 anos) com Lawrence, uma espécie de consultor em terrorismo formado em relações internacionais, e sua recente atração por Ramsei Acton, um jogador de sinuca bem-sucedido e amigo sazonal do casal, com quem eles saíam anualmente (e ritualisticamente) para uma comemoração discreta do aniversário de Acton.
Em um ano, no entanto, Lawrence estava viajando como conferencista e, não podendo prestigiar a data com o amigo, incentivou Irina, a princípio hesitante, a fazê-lo. Depois de um jantar inesperadamente agradável, Irina e Acton vão para a casa do segundo fumar um baseado, e em dado momento ela sente um intenso desejo de beijá-lo; nisso ela percebe, num lapso de reflexão filosófica que é o momento mais decisivo de nossa personagem, que está diante de uma grande encruzilhada, talvez a maior em que já esteve, e que dependendo da atitude que escolher tomar, sua vida poderá trilhar dois caminhos muito diferentes entre si, que mudarão tudo.
Beijar ou não o jogador de sinuca e encarar todas as alterações que essa decisão acarretaria?
E esse é o fim do primeiro capítulo do livro; saímos sem saber que atitude Irina adotou. Nos capítulos seguintes descobrimos que Shriver decidiu desenvolver as duas narrativas imediatamente possíveis, dividindo o livros em duas realidades paralelas que acompanhamos intercaladamente capítulo a capítulo: em uma Irina beijou Acton e na outra ela resistiu a esse impulso e voltou para Lawrence com seu relacionamento imaculado, livre de grandes pesos na consciência.
A partir disso Shriver começa a desenvolver todas as nuances, contrapontos e diferenças que esses dois caminhos (e por que não vidas?) diferentes rendem à existência de Irina, um de cada vez, no que quase poderíamos definir como dois romances, ambos plenos e cheios de minúcias, dentro de um.
Já escrevi por aqui que gosto de livros que falam sobre a vida, e logo em seguida acrescentei que sim, sei que isso é ridiculamente vago e imensamente abrangente; mas, por incrível que pareça, às vezes encontro obras que eu não poderia categorizar de maneira melhor. Esse livro é uma delas.
Eu sou completamente fascinada por reflexões que abarcam todos os aspectos possíveis da nossa existência; acho lindo pensar na vida e em como tudo isso é incrível, louco e impressionante, em como a experiência de cada um nessa terra é rica em nuances, tonalidades e possibilidades diferentes, e O Mundo Pós-aniversário fala justamente sobre esses diferentes viéses e perspectivas. Sobre os vários ''e ses'' que não podemos experienciar com liberdade em virtude das limitações óbvias a que estamos sujeitos na única narrativa possível que temos: a narrativa de nossa escolha. O caminho que escolhemos seguir.
Já nesse livro a abordagem dessas múltiplas alternativas é possível, e é isso que Shriver faz na vida da protagonista. Descobrimos os desdobramentos que se apresentariam se todos os âmbitos daquele ''e se" (e se eu beijá-lo? E se não beijá-lo?) fossem efetivamente incorporados à vida de Irina, e com isso é natural adotarmos essa reflexão e enxergarmos a questão através de uma ótica pessoal (e se eu tivesse feito aquilo? E se não tivesse? E se minha decisão tivesse sido outra?).
O Mundo Pós-aniversário é sobre o que aconteceria se você dobrasse naquela esquina da vida com a qual se deparou anos atrás, mas pela qual não resolveu seguir, escolhendo um caminho inverso. Entendem?
Fiquei fascinada.
Mas saindo um pouco do enredo pra falar da escrita em si, devo dizer que Lionel Shriver verdadeiramente me impressiona com a sagacidade e inteligência com que desenvolve seus romances. Porque ela sabe construir seus personagens como ninguém, de uma forma tão plena e minuciosa, tão rica em pormenores, que é absurdo pensarmos que eles não são pessoas de verdade com quem ela topou e a quem observou detidamente para transpô-los aos seus livros. A personalidade de Irina é tão completa, tão detalhada e minuciosa, que chega a ser incrível.
Essa característica dos livros dela me deixa completamente encantada, mas também é o que me faz hesitar na hora de recomendá-los a outras pessoas, porque obras da Shriver não são bem para leitores iniciantes ou para qualquer leitor, em qualquer momento. Seus livros são densos, muito, muito, muito densos, e embora muitas coisas aconteçam assegurando um dinamismo à narrativa, o ritmo é diferente, porque ela destrincha tudo que tem para destrinchar nas personalidades de seus personagens e no contexto que os envolve.
Um livro que nas mãos de algum autor genérico teria 150 páginas, tem 300 nas mãos de Shriver, porque ela não deixa passar nada. Acho isso maravilhoso - sou uma adepta inveterada dos textões.
A inteligência, a maestria, o cuidado e a cabeça que essa mulher tem que ter pra escrever assim me impressionam muito.
Na história de Irina é difícil não torcermos por seu relacionamento com um cara entre os dois, e embora meus dedos cocem para escrever prolongadamente sobre isso, vou evitar muitas palavras para não largar spoilers. Mas devo dizer que meu coração ficou dividido e foi jogado de um lado para o outro durante todo o romance, porque é muito difícil, com personagens tão complexos e humanos assim, simplesmente odiarmos ou amarmos de todo quem quer que seja.
Lawrence é centrado, disciplinado, profissional, responsável e competente, mas também é muito fechado e me frustrava demais a frieza dele no relacionamento, a falta de beijos, de carinho e de demonstrações de afeto e a resoluta determinação a não falar dos sentimentos. Ramsei é o contrário de tudo isso: extrovertido, descontraído, carinhoso, intempestivo e baderneiro (Ramsei fazendo folia e ensinando as crianças a rasgar os pacotes de presentes no natal como se não houvesse amanhã, quando a família de Irina costumava guardá-los intactos para o ano seguinte, é o meu tipo de pessoa).
Apesar de ter simpatizado mais com um do que com outro (influenciada pelo que parece ter sido intenção da autora), de um jeito estranho e inconsciente eu acabava torcendo para os dois, para que ambos os relacionamentos dessem certo - o que é ridículo, porque naquelas circunstâncias eles eram mutuamente excludentes. Acontece que sempre torço pelas pessoas, e imaginar tudo que Irina não viveria com um se escolhesse o outro, todas as coisas bonitas e queridas que ela desconheceria, me partia o coração, porque me fazia pensar em tudo que eu também perdi e que todos perdemos - que temos que perder - porque na vida não podemos ter tudo, não é mesmo? Isso me comovia demais, sabe? Pensar nesses vários "e ses", nessas várias vivências que ignoramos.
O livro de Shriver é rico e multifacetado, e além de nos apresentar uma história interessante e memorável, ele é pincelado por várias reflexões e apontamentos que a autora faz, como é seu costume, a respeito da sociedade, dos sentimentos, de relacionamentos inter e intrapessoais, da vida, do universo e tudo mais. Eu diria que é psicanálise (A M O) com mais um monte de outras coisas juntas. E recomendo fortemente, porque nos faz pensar.
Mas não se engane, por mais genial que seja, a princípio esse parece ser só mais um livro muito inteligente, sagaz e bem elaborado, mas é provável que - mesmo que você estiver esperando e se preparando pra isso, como bom conhecedor do estilo da escritora e como eu tentei fazer, falhando miseravelmente - ele atinja seu coração impetuosamente e arrase muito seu emocional no final. Duas vezes. Como só os bons dramas fazem... Ou, melhor dizendo, como só a Shriver faz.

''A IDEIA É QUE A GENTE NÃO TEM APENAS UM DESTINO. [...] MAS, SEJA QUAL FOR A DIREÇÃO TOMADA, HAVERÁ ALTOS E BAIXOS. A GENTE LIDA COM UMA SÉRIE DE COMPENSAÇÕES, E NÃO COM UM RUMO PERFEITO, COMPARADOS AO QUAL TODOS OS OUTROS SERIAM UMA PORCARIA. [...] HÁ VANTAGENS E DESVANTAGENS VARIÁVEIS EM CADA UM DESSES DOIS FUTUROS QUE RIVALIZAM ENTRE SI. MAS EU NÃO QUERIA UM FUTURO RUIM E UM BOM. EM AMBOS, TUDO DÁ CERTO, NA VERDADE. ESTÁ TUDO CERTO.''

(Sério, pensa numa bad. Depois de Kevin, eu tava me preparando tanto - e com razão - pra levar bomba e sair arrasada que chegou um momento eu que fiquei com verdadeiro medo de abrir o livro, já pressagiando um final que ia me derrubar emocionalmente. E não deu outra. No fim, Shriver é sempre certeira.)

15/01/2018

Retrospectiva Cinematográfica/Televisiva/Animistica (q?) 2017

Eu já disse que amo retrospectivas, né? Já! Então aqui vai mais uma.
Nessa vou falar dos filmes e séries assistidos e também de alguns animes; mas só comecei a anotar os títulos das duas últimas categorias no meio do ano, mais ou menos, então a listagem vai ter algumas lacunas, provavelmente. Por causa dessas lacunas, optei por não separar as séries dos filmes num post, mas provavelmente isso vai mudar na retrospectiva de 2018 já que meu bujo tá aí só pra eu anotar essas coisas mesmo, uma vez que enfeitar as páginas e fazer colagens elaboradas está além da minha força de vontade e habilidade manual. :)

FILMES


Só em 2016 eu comecei a efetivamente anotar os filmes a que assistia, e graças a esse hábito mantido em 2017, eu percebi que vi bem menos filmes do que achava que era meu número padrão. 
Isso pode ser explicado pela minha falta de recursos monetários, já que nem lembro a última vez em que fui ao cinema (certamente não foi em 2017 inclusive aceito convites para ir ao cinema vindos de homiens inteligentes, atraentes (isso é relativo) e bem intencionados cof cof) e também não tenho Netflix/TV assinada em casa (vocês não imaginam o sofrimento que é viver nos anos 201- sem poder dispor dessa dádiva). Ou seja, dependo inteiramente da boa vontade das emissoras populares e seu pobre catálogo (aqui em casa a gente desenvolveu a teoria – cimentada por anos de pobreza experiência – de que na verdade Globo, SBT, Record, Band mentira, na band é só filme de crocodilo gigante mesmo e galerinha têm muitas opções, sim, mas preguiça de escolher mais a fundo ou um deliberado empenho em passar os mesmos filmes num ciclo de 3 meses e all over again só pro povo sofrê mesmo).
Mas enfim, foram 41 filmes assistidos em 2017 (os que mais apreciei estarão em negrito):
Eu amo esse GIF e vou protegê-lo.
Jack Reacher - O Último Tiro / Um Grito de Socorro / O Regresso / O Sequestro do Metrô 123 / Closer - Perto Demais / Temos Vagas / Os Homens Que Encaravam Cabras / Faroeste Caboclo / Hulk / Jovens Adultos / Amor Obsessivo / O Amor Custa Caro / O Exótico Hotel Marigold / Last Vegas / Um Conto Chinês / Os Groods / A Pele Que Habito / O Silêncio dos Inocentes / Sexto Sentido / American Psycho / Que Horas Ela Volta / Sob o Domínio do Medo / No Olho do Tornado / Argo / Deus Não Está Morto 2 / Até o Último Homem / Forest Gump / Zodíaco / Nunca Diga Seu Nome / Ensaio Sobre a Cegueira / Expresso do Amanhã / Lion / O Abutre / Os Suspeitos / Mad Max / Conta Comigo / Mandela - O Caminho Para a Liberdade / Capitão Phillips / Amor A Toda Prova / Uma Nova Chance Para Amar / Guardiões da Galáxia

Infelizmente teve mais coisa esquecível (mas também houve poucos fracassos rigorosos; o mediano esteve mais presente) do que memorável – mas essas segundas se destacam, sim, grazadeus. Também não foi o ano em que consegui desenterrar a longa lista de filmes destaques nas últimas edições do Oscar, que eu tô querendo ver há anos, mas né [insira aqui todo aquele discurso sobre ser pobre de novo].
Eu tinha preparado toda uma lista de categorias baseada na minha última retrospectiva (tá uma bagunça aquilo lá, nem procurem), mas ela acabou ficando com cerca de 30 tópicos e não tô com ânimo pra tudo isso (nem ninguém aqui tá). Vou cortar algumas coisas e talvez a utilize pra 2018.
Então, vou me ater a falar sobre os destaques do ano – negativos e positivos. 
Vamos lá.

Os Três Piores Que Me Deixaram Com Vontade de Levar Um Soco No Estômago (Vulgo: Não Vejam Estas Drogas)
Como eu disse, foram poucos ruins MESMO, TIPO SUPER, TIPO PRA CARAMBA, TIPO SOCORRO, e mais coisa que ficou em cima do muro entre o bom e o ruim, então esses três/quatro abaixo são realmente os únicos que eu vi na lista e pensei de cara que gente, para, APENAS PARA.

No Olho do Tornado: história típica de cidadezinha e pessoas ordinárias que de repente se veem lutando pela sobrevivência em meio a um fenômeno da natureza se manifestando em escalas destruidoras. 
Eu amo filmes com desastres meteorológicos e fenômenos naturais, e poderia ficar assistindo aO Dia Depois de Amanhã (Jake Gyllenhaaaaaaaaaaaallllll <3) em looping, por exemplo; só que as atuações desse aqui, GEN-TE, elas são péssimas. Tem o guri de ICarly fazendo meus olhos sangrarem e eu poderia ficar particularmente ressentida por isso se parte da minha infância/pré-adolescência tivesse sido construída em parceria com ICarly, mas eu sempre achei o seriado péssimo mesmo.
O filme não se salva em nenhum aspecto (embora as atuações ruins sejam efetivamente o que nos deixa com vontade de chorar no meio da noite) e é pura perda de tempo mesmo. Sério, um gibi da Mônica (inclusive amo) fará sua vida melhor.
Lembrando do filme à noite.
Eu só terminei de ver porque TOC tava com a família, nós todos estávamos achando ridículo mas continuamos firmes e fortes só pra poder rir de escárnio depois.

Sob o Domínio do Medo: esse ganhou com o roteiro mais estapafúrdio e Ninguém Avisou Pro Diretor Que Essa Droga Não Fez Sentido? do ano, porque de verdade, existe um grande buraco no filme, onde deveria constar A RAZÃO de muita coisa que acontece ali.
Um casal vai à cidade antiga da moça e começa a construir uma casa lá, mas NÃO SEI POR QUE CARACOLIS um grupo de homens grosseirões e marginais, contratados pra trabalhar na construção, decide que vai simplesmente infernizar a vida dos dois como se dane-se, é nosso hobby, e no fim acabam morrendo nas mãos do casal quando a casa é destruída.
Tá, você pode pensar, existe gente simplesmente LOUKA DE PEDRA e o filme quer mostrar isso; mas não, amiguinho, porque a coisa toda é conduzida numa trajetória sem pé nem cabeça. É tipo assim: eles tão de boas construindo a casa do casal, sendo os merdas beberrões que eles são, mas sem grandes dramas, até que de repente dá na telha deles que VAMOS FERRAR O CASALZINHO PORQUE SIM? VAMOS! E algumas autoridades (xerifes meia boca) da cidade agem como se fosse um comportamento normal (''são só homens sendo homens'') até que tudo acaba naquela destruição que você nem sabe por que aconteceu. Não faz o MENOR sentido e você só vai conseguir compreender o quanto não faz sentido vendo o filme, mas eu desejo que, então, você nunca compreenda porque tô aqui pra te dizer que NÃO VEJA ESSA DROGA. :)
(Essa sinopse tá tão ruim e desconexa quanto o filme, então PERCEBAM.)

Nunca Diga Seu Nome: esse aqui é O Fracasso com maiúsculas do ano, sabe? Sério, tenho que rir. Mais um triste caso de terror que cai no ridículo de gatilhos de susto medíocres e uma construção de enredo pobre.
Tadinha da Bel (minha cunhada), que escolheu o filme, porque ela tentou defender o maldito (‘’ahh, gente, mas não foi tão ruim, né?’’) quando os créditos começaram a subir e eu e o Mateus (meu irmão, namorado dela) nos olhávamos com cara de ‘’que dó, vou fingir que eu não vi isso; Bel, para, APENAS PARA’’. 
Quando apareceu um dos ‘’monstros’’ (kkkkkkkk) do filme, estávamos os três sentados e a Bel no meio, e eu só olhei pro Mateus por cima da cabeça dela num olhar cúmplice de QUE BELA MERDA e começamos a rir daquela desgraça (disfarçadamente pra não ofender a Bel, claro) porque era rir ou chorar, e a primeira opção é sempre melhor.
Mas enfim, tem na Netflix e é PÉSSIMOOOOOOOOOOOOOOOO, então não caiam nessa.

(Tenho que adicionar um parêntese pra mencionar Deus Não Está Morto II na listagem não oficial, porque acho que na realidade a inclusão dele nesse lista deve ser meio relativa. 
De modo geral ele é ruim? É. Muito? Muito. As atuações? Meio vergonhosas. O roteiro? Pobre.
Mas, porém, todavia dane-se, é um filme com um estilo muito específico e voltado a um público muito específico, então acho que uma interpretação mais justa avaliaria ele através da ótica de produções da mesma linha (um mercado bem escasso, diga-se de passagem). Assim, talvez, e só talvez mesmo, ele se salve.
Mas ainda mantenho a posição de que nada poderia ser pior que o volume I, então...)

Os Três Melhores Que Me Deixaram Com Vontade de Abraçar Os Atores e Atrizes e Bater Palma Na Cara Deles Jogando Confete Até Engasgá-los
(Só que eu faria com um sorriso no rosto pra passar uma impressão amigável, claro.)
Vale lembrar que todos os que entraram para a lista de favoritos da vida já estão em negrito na lista ali de cima (porque eu não poderia falar demoradamente de cada um mas também não poderia deixá-los passar). Todos, sem exceção, ocupam um espacinho querido no meu coração. <3

Os Suspeitos (trailer): os dois próximos não tão em ordem de preferência, mas esse, sim. Os Suspeitos foi o melhor filme de 2017 e QUE SENHOR FILME. 
Aqui eu falo um pouco mais sobre ele (não é uma resenha, só um espacinho numa Mescelânea), mas basicamente é sobre a investigação do desaparecimento de duas crianças, filhas de um casal de amigos. O filme acompanha a trajetória dos pais das duas, que sequestram um suspeito e o mantém em cativeiro, sob tortura, e o investigador principal do caso MEU MARIDO JAKE GYLLENHAAL
Só que a trama do filme é muito, muito, muito bem construída. É um daqueles mistérios magistralmente arquitetados que nos envolvem e fazem a gente acompanhar o descobrimento de cada peça do quebra-cabeça faceiros como se estivéssemos achando uma cartela premiada da mega-sena (tá, não é pra tanto, MAS QUASE).
Outra coisa boa é que é possível que a gente desvende a charada. O filme nos dá dicas pra isso na medida certa: sutis e nada escancaradas, mas visíveis. Não é um daqueles enredos totalmente escabrosos, impossíveis e wtf com os quais não temos chance, e isso possibilita uma imersão que torna toda a experiência muito mais proveitosa.
As atuações estão maravilhosas, a fotografia está maravilhosa, o roteiro tá maravilhoso, TÁ SIMPLESMENTE TUDO MARAVILHOSO NESSE NEGÓCIO.
Se tá entediado, com a família na noite de domingo ou com um grupo de amigos na sexta à noite, Os Suspeitos é o filme. Vai por mim. Veja já essa maravilhosa birosca e venha me agradecer depois (se quiser)(você vai querer).
(E eu já disse que tem o mozão Jake? Pois é, tem o Jake. E o Wolverine Hugh Jackman e o Jake, e o Terrence Howard e o Jake e vários outros atores e atrizes ótimos e o Jake.)

Mandela - O Caminho Para A Liberdade: eu falei bastantinho sobre ele aqui. Não tem muito o que dizer sobre o enredo porque é uma biografia cinematográfica do cara e acho que todos nós conhecemos razoavelmente bem a história dele, né? NÉ? 
Mas enfim, depois de assisti-lo eu fiquei meio surpresa ao constatar que o único outro filme sobre o Mandela que eu havia visto tinha sido Invictus (EU TE AMO MORGAN FREEMAN), que é ótimo e eu gosto muito, mas não chega a contar sua história desde o início, pulando pra quando ele já havia sido eleito. O Caminho Para A Liberdade não nos poupa de tooooooodo o baita drama que foi chegar até ali.
Idris Elba tá muito bom no papel, tudo ótimo, o filme me surpreendeu porque eu achei que nada poderia bater o Freeman e enfim, ASSISTAM.
Nunca é demais enaltecer Mandela. <3
Filme 100% aprovado pelo melhor Mandela que não é o Mandela.
Mad Max (achei o subtítulo desnecessário): fiquei em dúvida entre ele, Capitão Phillips e Zodíaco pra colocar aqui, mas como os dois últimos já vão estar nas menções honrosas, fico com Mad Max. Capitão e Zodíaco estão na frente na minha escala de favoritismo, mas acho que Mad Max realmente vai além no quesito qualidade, porque é uma produção em escalas megalomaníacas que eu jurava, nos primeiros minutos de filme, que daria muito errado, MAS DEU MUITO CERTO com exceção da ''falha'' no roteiro de que falo aqui
Como eu também já contei o enredo nesse link, basta dizer que o estilo do filme destoa de produções mais tradicionais, com uma saturação elevada que grita aos olhos, uma pegada steam punk e todo um flerte com o bizarro e o surreal, na forma de figuras grotescas.
É uma fotografia MUITO louca com vários efeitos especiais, mas vale lembrar que George Miller (diretor) queria que os efeitos fossem o mais práticos e verossímeis possíveis, então ele zelou por isso reproduzindo de verdade várias cenas que a gente juraria que foram pura computação gráfica. Tipo, o Tom Hardy REALMENTE teve que gravar cenas de corrida pendurado numa estaca em cima do capô de um carro (!), pessoas REALMENTE tiveram que pular de um veículo ao outro no meio de toda aquela correria assassina no deserto (!) e aquele fucking caminhão estratosférico REALMENTE foi capotado numa das cenas finais (!)(sério, gente, aquilo não é computação e eu ainda tenho dificuldade em lidar com essa informação).
E Mad Max também trás a maravilhosa Furiosa, não vamos esquecer a DIVONICE desse ser. <3

Menções Honrosas:
Faroeste Caboclo (trailer) foi o melhor filme brasileiro que eu vi em toda a minha vida e também compete forte com os melhores do ano. Sério, QUE FILME BOM DO CARAMBA. Eu vi sozinha no corujão e terminei o longa DES.TRU.Í.DA sentada no sofá com o emocional em frangalhas porque COMO LIDAR?!?!
Sabe aqueles filmes fortes que você não pode ver em qualquer momento porque têm cenas pesadas que podem arrasar contigo e tal? ENTÃO. Ele tem muitas cenas que retratam racismo, desigualdade, violência (inclusive sexual, numa cena que me deixou semanas meio perturbada), abuso, drogas e vícios etc e tal, com uma qualidade e verossimilhança que realmente mexem com a gente de um jeito não muito agradável e, como eu disse, perturbador. 
É um daqueles filmes que nos deixam de ressaca, sabe? Pensando naquilo tudo com uma certa ânsia, agonia e aflição durante dias. Eu lembro do peso de acordar, ficar uns três segundos com a mente vagando confusa entre o despertar e o anuviar do sono, e aí lembrar de todas aquelas cenas pesadas e doídas que caíam na minha cabeça do nada e me ferravam de novo. Entendem a sensação?
Enfim, o filme é ÓTIMO, a Ísis Valverde e o Fabrício Boliveira (casal protagonista) estão maravilhosos e o longa todo é baseado na música escrita pelo Renato Russo, então NÉ? DEU PRA SACAR O QUANTO ESSE NEGÓCIO TÁ INCRÍVEL?! Porque tá.
Eu sou meio preconceituosa com o cinema brasileiro (desculpa - mas em minha defesa eu tive experiências ridículas com ele), mas esse foi um filme que me deixou envergonhada por isso, sabe? Coisa que só ele conseguiu esse ano... (Pois é, não gostei de Que Horas Ela Volta?. Desculpa, sociedade, mas achei a filha da personagem da Regina Casé um POOOORRREEEEE.) 
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Vi Regresso, o filme que FI.NAL.MEN.TE deu o oscar pro DiCaprio (eu tava assistindo a premiação com minha irmã no sofá e levantei batendo palmas histérica e dando gritinhos que nem uma fã mangolóide porque desculpa, NÃO CONSEGUI me conter) e ele tava desgraçadamente ótimo mesmo, e apesar de o filme não ter virado um queridinho pra mim, o homi reaforçou seu merecimento a uma ala especial e vip do meu coração.
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Amor A Toda Prova foi a melhor comédia que vi em ANOS e uau, como eu tava com saudade de ver algo bom dentro desse gênero (quase tão sucateado quanto o terror hoje em dia, convenhamos). Virou um dos meus comfort movies oficiais da vida. Vejam.
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Zodíaco não virou o meu favorito do Fincher (perde pra Seven e Clube da Luta), mas virou meu filme com a fotografia favorita de todos os tempos - e isso vai além de uma competição entre os filmes do diretor, tô falando de qualquer um mesmo. Sério, que fotografia linda. <3
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Tenho que falar de novo da atuação do Tom Hanks em Capitão Phillips, porque sério. SÉRIO, MANO. SÉRIOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO. 
Com 41 filmes no ano, dá pra presumir que vários deles foram assistidos de maneira mecânica sem me marcar de nenhum jeito, resvalando fácil para o esquecimento. Mas a atuação do Hanks nesse filme é o tipo de coisa que me faz lembrar a verdadeira arte que é o cinema e a dramaturgia, e como essa gente é foda fazendo algo que eu não conseguiria reproduzir nem que fosse pra salvar minha vida.
Eu terminei o filme e fiquei assim, gente, encarando o televisor por uns cinco minutos só pra prestar tributo à maravilhosidade do cara nesse filme:
Vocês já experimentaram entrar numa página de famosos batendo palmas em premiações?
É UM CAMINHO SEM VOLTA.
De verdade, Tom Hanks, apenas mi beije.
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American Psycho trouxe o personagem do meu ano. Patrick Bateman (COMO SÓ AGORA EU PERCEBI QUE BATEMAN É QUASE BATMAN E O CHRISTIAN BALE FAZ OS DOIS E ISSO SÓ PODE SER ILLUMINATI?!?!?!?!?) virou a cara que eu quero estampada em minhas canecas, camisetas, pôsteres e leggings zoadas de academia (eu não faço academia e odeio leggings, mas é como dizem, "pra toda regra..."). Algumas frases icônicas do filme vão estar marcando presença em contracapas de caderno, rodapé de folhas e bios da internet também e tatuagens só quando eu sair de baixo do teto da minha mãe (palavras dela).
O Christian é péssimo, um cretino, vaidoso, egoísta, serial killer (kkkk - sempre tenha o cuidado de digitar mais de três ''k'' pra não parecer Klu Klux Klan), mas É O BATMAN ADOREI MESMO ASSIM e virou meu personagem amorzire do ano - de um jeito estranho que não se relaciona com o conceito de crush e que eu não quero nem tentar explicar. <3
Vou parar por aqui porque esse post já tá me tomando tempo demais e I have to return some video tapes.
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A Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes provavelmente foi a minha segunda personagem do ano. <3
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Os Homens Que Encaravam Cabras (sim, o filme é tão bizarro quanto o título) ficou com o posto de Filme Totalmente WTF Com Roteiro Doido e Fora da Curva Que Não Tem Explicação Nenhuma  E Eu Não Sei Que Alucinógenos O Diretor Tomou Quando Resolveu Filmar Mas Não Sei Como (mentira, sei como sim: George Clooney) Essa Birosca Deu Certo (pelos menos pra mim e pro meu irmão, que viu junto comigo no corujão; a gente saiu com cara de ¿?<3¿?<3?¿<3¿? sem saber como ir dormir depois de tanta coisa nonsense de aquecer o coração) E Eu Totalmente Adorei. (Em 2016, se não me engano, esse posto ficou com Um Jantar Para Idiotas.)
Não sei como explicar nada referente a esse filme. Se alguém souber, chama no curiozogato.
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Desmond T. Doss, de Até o Último Homem, foi o HOMÃO real que acabou virando filme do ano (junto com Mandela e o Capitão Phillips, mas tô tentando não falar mais deles).
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E acho que a essa altura do campeonato deu pra ver que Jake Gyllenhaal MEU MARIDO VOCÊ VAI CANSAR DE LER ISSO SIM APENAS ACEITE foi o ator do ano, né, em três favoritos (e ainda nem acabei de mencionar ele, vai vendo...).
SEN
HOR
Comentários Adicionais
Closer - Perto Demais, por sua vez, foi o filme cult do ano sobre o qual eu não entendi que por** que que houve ta conteseno -q? nunca nem vi.
Seriously, precisava ser tão hãn?¿? só pra levar o título de cult? Donnie Darko (JAKE GYLLENHAAAAAAAAALLLLL) fez um trabalho melhor.
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Ainda não sei o que pensar sobre A Pele Que Habito.
De verdade.
Não sei.
Aceito ajuda.
#PrayForCarol
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Não, eu realmente nunca tinha visto Sexto Sentido. Eu sei, eu sei...

SÉRIES


Eu sempre amei séries, mas só podia ver as que passavam na TV aberta (poucas boas) porque assistir pelo que então era o único computador da casa (disputado por todos) era praticamente impossível e me demandaria ANOS com séries longas como House.
Mas, aos 17 anos, ganhei um smartphone (sim, há dois anos atrás eu ainda tinha que lidar com os extintos botões enquanto todos bombavam com touch screen, e meu celular não me permitia nem ver um vídeo no YouTube direito) de aniversário e então O MEU MUNDO SE EXPANDIU COMO A CAIXA DE PANDORA, AMIGUINHOS. Em 2016 comecei a ver as séries que realmente queria ver, por conta própria, e em 2017 essa saga continuou como discorrerei abaixo.
Como eu disse, não cheguei a anotar todas as séries vistas no ano, só de maio adiante. Mas vou tentar lembrar aqui o que cruzou meu caminho nos quatro meses anteriores também. Tentarei ser sucinta. (Tô vindo do futuro, também conhecido como fim desse texto, pra dizer que não consegui. De novo. Desculpa.)
As séries vistas foram:

Completas: House M.D. / Thirteen Reasons Why (não vi completa porque a continuação nem saiu ainda, mas eu acho uma verdadeira HERESIA essa ideia de dar continuidade a essa história, então tô sumariamente ignorando qualquer coisa além da primeira temporada - que, pra mim, é só o que importa) / Pretty Little Liars (última temporada lançada em 2017) / Twin Peaks (também tô ignorando a continuação recém lançada quase 30 anos depois das duas primeiras temporadas) / Gilmore Girls / Downton Abbey
E as séries que ainda estão sendo produzidas, das quais vi as temporadas lançadas até esse ano: Game Of Thrones / Stranger Things / The Walking Dead 
(Em 2017 também assisti até a terceira temporada de Mad Men, mas como vou finalizar a série em 2018, ela vai entrar na próxima retrospectiva mesmo.)

As únicas séries que DETESTEI mesmo foram: 
Pretty Little Liars: falei um pouco aqui, mas resumindo, foi o pior investimento (PERDA) de tempo assistindo a um conteúdo midiático da minha vida, porque essa desgraça não é uma seriezinha pequena de 4 temporadas com 10 episódios cada. NÃO, são 7 malditas temporadas de mais de 20 episódios cada uma. E é tudo PURA enrolação e ladainha com um final que apela TOTALMENTE pro conceito Deus ex machina de resolver as coisas. Tipo, TOTALMENTE MESMO (na verdade, eu cheguei à conclusão de que se você tá com dificuldade de explicar a aplicação desse termo a alguém e nem a wikipédia ajudou, mostre o fim de Pretty Little Liars à pessoa; não tem erro) - de um jeito que me faria rir demais de escárnio se eu não tivesse sido umas das pessoas idiotas/enganadas/perdidas que ficaram vendo sete temporadas dessa droga.
De verdade, cara, se algo na história desse blog poderá ser útil de alguma forma, esse algo vai ser meu apelo desesperado pra que você NÃO ASSISTA A ESSA BIROSCA JAMAIS, POR FAVOR.

Twin Peaks: já essa série foi a coisa mais difícil de assistir da minha vida, porque não teve jeito de eu me envolver pelo ritmo do Lynch (na verdade isso é um eufemismo; eu verdadeiramente ODIEI a experiência) e só com muita força de vontade (e cabeça dura) eu cheguei ao fim das duas primeiras temporadas - a série é antigona e em 2017 foi lançada um terceira temporada, quase 30 anos depois, mas eu tô tentando fingir que aquilo é um spin-off (não é, mas dane-se) pra não ter que ver tudo.
Eu quase entrei em coma no meio dos episódios porque, de verdade, eu tava detestando MUITO e isso fez com que quarenta minutos de episódio parecessem duas horas e meu cérebro ia desligando aos poucos durante esse tempo.
Eu sei que o Lynch tem todo um fã-clube e muitos admiradores por aí, além de ser um baita nome da indústria cinematográfica, mas eu não consegui engolir todas aquelas coisas sem pé nem cabeça (o último episódio da segunda temporada, gente, que merda é aquela, sério?) com o discurso de ''ui, que conceitual, que abstrato, que artístico'' (não tô dizendo que não seja essas coisas - quem sou eu pra dizer o que é arte, não é mesmo? -, mas que não consegui entrar na onda), sabe?
Eu tava vendo o vídeo de um cara falando sobre um filme do Lynch em que ele chamou alguns atores e atrizes, vestiu-os de coelhos bizarros (?), colocou-os num set fazendo coisas aleatórias com umas trilhas de risada e outros sons estranhos atrás, gravou isso por cerca de 1 hora e pronto, tá feito o filme. O guri fez uma suposta imitação do Lynch dizendo algo do tipo: ''filme com coelhos humanos sem fala e sem sentido nenhum? Posso fazer, sim, porque eu sou O LYNCH, então FODA-SE''. É mais ou menos esse o meu sentimento com Twin Peaks.

As Três Melhores
Stranger Things: essa foi o grande amorzinho do meu ano e nada tinha competido tanto com Breaking Bad na minha escala de favoritismo até então (elas são muito diferentes então não perdi tempo nesse impasse; Breaking Bad continua sendo A Minha Favorita Da Vida). Stranger Things foi aquele fenômeno que me deixou vidrada e obcecada até ver tudo, maratonando temporadas inteiras em uma noite, em completo fascínio e pedindo mais.
O que eu amei foram as bizarrices surreais é que é uma série com crianças sendo crianças e isso é LINDO de ver, principalmente quando é tão difícil encontrar produções que façam uma representação caprichada e verdadeira dessa faixa etária.
Foi a melhor série do ano e também a que eu mais amei assistir. 

House M.D.: tava na minha mira há anos e foi muito amor poder finalmente conhecê-la. Elejo House a segunda melhor série que vi em 2017 porque ELA MERECE *musiquinha*. A série é ótima e virou daquelas que me deixam com saudade dos personagens esporadicamente, então vou rever uns episódios de vez em quando só pelo gosto.
É maravilhoso como a série mescla drama e humor em seus arcos narrativos e transita por tantas situações diferentes. Quer dizer, são oito temporadas atendendo pacientes dentro de um hospital, e é quase absurdo, se pararmos pra pensar, como deu pra manter esse formato por tanto tempo sem deixar a peteca cair - porque eu sou da parcela de pessoas que amaram ela do início ao fim.
Me apaixonei pelos personagens e pra mim ela teve o melhor final possível. (Eu morri chorando? Morri. Mas foi maravilhoso.)
TAMBÉM QUERO CANECAS E CAMISAS DE HOUSE, POR FAVOR.

Game Of Thrones: é uma série bem controversa e que peca em vários aspectos, eu sei. Mas ela é boa pra caramba e também afundei na trama (mesmo já tendo lido os livros) sem conseguir sair até ver tudo. A série é muito ótima e tem uma capacidade de imersão que fisga os telespectadores com uma maestria que merece palmas. Odiada por muitos (em grande parte pessoas que nunca tentaram assisti-la e antagonizam só pelo hype, convenhamos - gente que odeia coisas só porque as coisas fazem sucesso, por que existem?), a verdade é que pouquíssimos têm a ousadia de falar que ela é ruim pura e simples, e acho que a parcela de pessoas que viu um episódio ou dois e saiu sem vontade de voltar é ínfima em níveis risíveis.
GoT fica aqui com o terceiro lugar, mas a verdade é que ela foi a segunda (depois de Stranger Things) que me deixou com mais gana de assistir um episódio atrás do outro até eu ser obrigada a parar porque VIDA.
Em todos os aspectos, eu ainda prefiro os livros, mas entre todas as adaptações que já vi e das quais saí preferindo os livros, essa é a que mais me fez amar os dois, de maneiras diferentes.
Vem oitava temporada. (E vem sexto livro, plmdds, George R.R. Martin, tô há quase cinco anos esperando, homem.)

Numa Escala Decrescente de Favoritismo, as séries de 2017 ficaram assim: Stranger Things, House, GoT, The Walking Dead, Thirteen Reasons Why, Downton Abbey, Gilmore Girls, Pretty Little Liars e Twin Peaks.

E o Personagem do Ano foi o House. =} <3 (Mas o crush foi o Jon Snow mesmo *cof cof*)

ANIMES


Na hora de falar dos animes as coisas ficam mais confusas ainda, porque deles eu não anotei quase nada mesmo.
Mas tenho quase certeza de que os que eu vi em 2017 foram só (finalmente uma categoria em que eu vou conseguir ser sucinta, por falta de oportunidade mesmo):

Death Note / Trinity Blood / Claymore

L, Um Poço de Sabedoria
Pois é, é bem louco que eu goste de animes e só tenha assistido a Death Note em 2017, porque além daqueles atemporais que passavam na TV durante a infância de todos e o mundo inteiro conhece (Pokemon, Dragon Ball, Naruto, Cavaleiros do Zodíaco...), ele é um dos animes mais popularizados de todos os tempos, com nome conhecido mesmo por quem não dá a mínima para o gênero.
Assisti e posso dizer que ele merece o sucesso que tem (na minha opinião, pelo menos) e virou o favorito do ano -  o que não é muito difícil tendo em vista que eu só assisti 3, mas enfim.
O final foi previsível mas eu gostei da forma como as coisas foram conduzidas e abordadas, e da discussão que ele levanta.
Fica a recomendação.

Claymore ficou num meio termo. Eu gostei mas ficou longe de virar um favorito. Como eu não quero me alongar muito (já virou uma piada falar isso nesse post quilométrico) e já falei do enredo por aqui, só deixo o link mesmo com mais informações pra quem tiver curiosidade.

Trinity Blood foi o pior anime que vi na vida até então, e fui me arrastando muito durante todo o processo, mais ou menos como ocorreu com Twin Peaks. Ele simplesmente não tem nem pé nem cabeça, o desenvolvimento é muito mal feito e desconexo, o roteiro é confuso e o enredo não se sustenta.
Parece que pegaram o mangá e resolveram adaptar um capítulo sim, um capítulo não, e as coisas ficaram incongruentes por conta disso, sabe?
Achei péssimo mesmo e, de verdade, não recomendo nem a pau.

E é isso aí. O texto ficou enorme (bem maior do que eu gostaria) e bagunçado porque tive que juntar as três categorias mesmo. Pra próxima retrospectiva anual vou deixar os filmes num post e as séries/animes em outro, então a coisa vai ficar bem mais enxuta (#OREMOS).
Que venham filmes, séries e animes ótimos em 2018. E se alguém quiser dividir a conta da netflix comigo (de um jeito que eu tenha que pagar uns cinco pila no máximo), serei eternamente grata e ridiculamente abusada. =)

08/01/2018

Perdido(s) em Marte

Perdido em Marte foi o primeiro filme de 2018 (assistido no dia 1 de janeiro mesmo) e acho isso um tanto poético.
Embora poesia não seja dos gêneros textuais que mais prestigio, tenho um fraco (que talvez já tenha ficado evidente) por coisas poéticas - escrito assim em itálico mesmo, pra que você possa captar a entonação certa.
Apesar de ter sido o primeiríssimo - e, até então, único - filme que assisti (com meus dois irmãos mais novos, Mateus e Taiane, e minha mãe) em 2018, já tenho certeza de que quando eu vier aqui fazer a retrospectiva cinematográfica daqui a uns 365 dias, mais ou menos (como se eu fosse pontual assim...), ele constará entre os favoritos. Provavelmente até no TOP 3.
Em Perdido em Marte Matt Damon um astronauta especialista em botânica sai em uma missão espacial com sua equipe e acaba sendo deixado nesse planeta hostil depois de um acidente em que seu grupo ficou convicto de que ele tinha morrido. Ele não foi cruelmente abandonado lá por colegas de trabalho desnaturados, e sim deixado por companheiros queridos que tinham certeza de que ele estava morto, e que de mãos atadas em tal situação, concluíram (sensatamente) que não valia a pena arriscar a vida de mais ninguém só pra trazer um cadáver pra casa.
A questão é que ele ficou lá, all by himself - talvez a única pessoa (fictícia, eu sei, mas quem liga?) que pode adotar esse título com propriedade -, sem qualquer companhia, absolutamente isolado e só num planeta (não um bairro, uma cidade ou um país, mas num FUCKING PLANETA) estranho e inabitado... Pelo menos até agora.
Só que, graças a sua formação, seus conhecimentos em agricultura são vastos, e em vez de esperar a chegada da morte quando os mantimentos astronáuticos acabassem, ele dá um jeito de cultivar alimentos (apenas batatas, mas já tá valendo) e "produzir" água (o cara é um cientista, né, amigues), enquanto tenta estabelecer contato com a Terra pra voltar pra casa antes que algo dê errado (algo além de ficar sozinho num planeta estrangeiro e árido a milhões de quilômetros de sua casa sem ter como voltar, quero dizer).
E essa é a jornada do astronauta.
Momento reservado pra simplesmente parar e admirar esse homem.
Existe um segundo núcleo narrativo na Terra, naturalmente, enquanto acompanhamos a luta da equipe da NASA, e de todo o mundo (porque a raça humana guerreia e se mata, mas às vezes nos deixamos ser muito sentimentais - e bonitos - acompanhando com uma multidão de semelhantes um resgate desses sendo transmitido num telão da Times Square, torcendo e desejando o bem juntos), que tenta trazer o cara pra casa. Essa mobilização conjunta também me toca bastante e me arranca uns sorrisos no filme, mas o que gostei mesmo de Perdido em Marte (Bring Him Home talvez seja um título melhor; ainda não decidi) é como o filme eleva a uma representação literal e absurdamente verdadeira (tão verdadeira quanto um filme scifi, claro, mas você entendeu) conceitos que vivemos expressando e sentindo na terra unicamente de maneira metafórica (em hiperbóles), porque despidos do romantismo de uma ficção eles não nos são uma realidade possível. 
Do que eu tô falando? Daquele sentimento que todos nós temos vez ou outra, quando nos sentimos absurdamente solitários e isolados ao ponto de nos visualizarmos sozinhos no mundo. 
A única pessoa na terra, sem qualquer companhia. Em desalento no mundo, vagando sozinha. Abandonada num planeta inteiro. Tão só que sente que não há ninguém a kms de distância e o mundo está deserto. Você só tem a si mesmo. Está cruel e completamente solitário.
A gente sente tudo isso, mas nunca é uma realidade concreta, e sim algo manifestado no campo das emoções e sensações.
Em Perdido em Marte, não. No filme essa é a realidade nua e crua, e nosso astronauta vivencia em Marte de forma verídica e orgânica tudo o que sentimos na Terra, no espectro emocional e sensível.

''Eu sou a primeira pessoa a ficar sozinha em um planeta inteiro.''

E é isso que eu acho meio poético no filme  - embora ele faça justamente subverter o subjetivo em um objetivismo palpável (claramente não entendo de poesia, mas ok).
Mas eu falava sobre o início do ano e como esse ter sido o primeiro filme que assisti em 2018 constituiu uma significação particular para mim.
Não sou uma daquelas pessoas que fazem resoluções de ano novo e celebram a data com todo o simbolismo que ela carrega; na verdade, nutro uma aversão especial ao fim de ano e a todo o seu clima festivo (um dia ainda falo sobre isso aqui), e no geral preferiria passar por esses dias de maneira despercebida. Mas acho que sempre fico com esse sentimentozinho tímido (que eu não gostaria de admitir que me acomete) de que toda uma jornada inédita e diferenciada está começando e eu tô embarcando nela sem passagem de volta. Aquelas coisas bobas que a gente sente nesses momentos mesmo.
Como no filme, você (e quando eu digo você eu quero dizer a gente) vai ter ajuda, de certa maneira vai conseguir alguma companhia (como quer que ela se manifeste; minha maior companhia em 2017 ocorreu através da internet) e terá quem torça por ti ou pelo menos assista a suas lutas.
Quer dizer, você não vai estar irremediavelmente só; MAS parte (uma boa e grande parte) da jornada que se descortina à frente será trilhada por você e somente você - porque haverá uma parte que só poderá ser trilhada por você. Não importará quantas muletas existam ao redor e quantos ombros amigos estejam estendidos, há certos passos que só os seus pés deverão - e conseguirão - dar.
Embora eu saiba que tenho família e alguns poucos amigos (tipo, poucos mesmo; orem por mim), esse sentimento de que MUITO dependerá de mim para que eu chegue ao fim do ano olhando pra trás com o sentimento satisfatório de quem sabe que fez o que poderia ter feito sempre fica sobre as minhas costas durante o período da virada. Como um peso, admito.
Junto a isso, outro sentimento que me toca é o de uma atemporal e intrínseca solidão. Não a solidão de quem não tem com quem andar, mas a solidão de quem sabe que precisará fazer certas caminhadas sozinho, que precisará não andar com ninguém algumas vezes. E pode ser difícil encarar isso.
Perdido em Marte me lembrou um dos motivos (porque são vários) pelos quais o réveillon é um acontecimento muito mais introspectivo e sensível do que exultante e festivo para mim - sentimentos que eu sempre reflito com uma indisfarçável (mas moderada) melancolia: porque eu sempre sinto essa inevitável e inflexível solidão que me acompanhará nas decisões mais significativas do ano.
Só que reconhecer a existência desse caminho estreito no qual só eu vou (e devo) caber, internalizar a faceta solitária dessa reflexão, não precisa ser algo ruim, triste e depressivo, claro. Não é assim que encaro a coisa - mas poderia ser.
Embora contasse com os suprimentos dos colegas que já haviam partido do planeta distante, o astronauta teve que, sozinho, cultivar as próprias batatas e produzir aguá. Embora funcionários da NASA estivessem vigiando seus passos através de satélites, ele, sozinho, teve que dar um jeito de aquecer o jipe espacial (tá, não é esse o nome do treco, mas me deem uma folga) pra fazer uma viagem e achar o aparelho (sim, eu também esqueci o nome desse; me julgue) que possibilitaria contato com a Terra. A câmera em transmissão com a NASA estava posicionada e funcionando, mas foi ele que teve que ir atrás do alfabeto nerd (eu desisto; não lembro o nome de nada) e montá-lo pra efetivamente conseguir uma comunicação mais substancial. O projeto e estrutura da nave para voltar pra casa estava pronto e havia sido pensado com a ajuda de vários cientistas da agência espacial, mas foi ele que teve que pular no telhado do veículo anterior até quebrar e dar um jeito de fixar aquela lona (ainda estou de cara com a suposta eficiência da lona) pra tentar fazer a viagem de volta pra casa.
O astronauta (nem o nome dele eu lembro, gente; plmdds me ajuda) não foi o único envolvido na missão, mas muito, muito mesmo, foi construído e dependeu de suas mãos, de sua força e de sua vontade. De sua motivação.
Muito só pôde ser feito por ele, e muito (provavelmente mais do que gostaríamos) só poderá ser feito por mim, por nós, nos tempos que se aproximam. 
O essencial caberá a nós.
Ao assistir ao longa, essa reflexão ficou comigo, mais uma vez.
E tal como o astronauta tentou o filme inteiro (se conseguiu, já é outra história), espero que em 2018 todos nós possamos dar um jeitinho de voltar pra casa - seja ela antiga ou nova e recém construída, estrutura física ou emocional.

04/01/2018

Retrospectiva Literária 2017

(Vocês não tem noção da minha faceirice por finalmente poder escrever esse título.)

Além do pudim na ceia de natal, por motivos que a própria palavra pudim, sinônimo de perfeição, já justifica, a outra ÚNICA coisa que eu gosto nesse clima de fim de ano não é reunir a família, assistir ao especial da globo, filmes natalinos (oh hell no), luzinhas piscantes, todo mundo vestido de branco comendo lentilha pra dar sorte ou whatever, e sim AS RETROSPECTIVAS. Eu amo como se fosse pringles (ou quase). Adoro rememorar o que passou e fazer esse apanhado de coisas, pra ver o quanto foi acrescentado na minha vida desde o último olhar em retrospecto ocorrido há cerca de 365 dias.
Desnecessário dizer que, entre todas elas (a televisiva/cinematográfica, acontecimentos da minha humilde vida, a da globo e a do sbt apresentada pelo Cabrini (que homem)), minha retrospectiva favorita é a literária. E é pra isso que eu tô aqui hoje. o/
Depois de um 2016 FRACASSADÍSSIMO em número de leituras, que só não se perdeu pela qualidade dos livros lidos (vários clássicos adorados que eu queria tirar da estante há séculos!), em 2017 eu li
50 LIVROS
[15.085 páginas ao todo;
médias de 302 páginas por livro e 41 páginas lidas por dia 
(só sei disso por causa do skoob, porque nem a pau ia contabilizar um troço desses)]
cravadinhos, e dessa vez o número me contenta, sim. Sempre poderia ter sido mais, mas 50 não tá sendo motivo de vergonha. (Sim, eu me preocupo com a quantidade também, e não só com a qualidade. Não vou ser hipócrita.)
Quando era metade do ano, mais ou menos, e eu só tinha lido uns vinte e poucos (tive uns dois meses cagados de leituras em que li pouquíssimo, e culpo O Desafio Mundial, esse livro maçante do caramba que parece mais um tcc de economia, que me empacou e ferrou todo o ritmo durante um tempo considerável, por isso), acabei estabelecendo essa meta de chegar até pelo menos 50 ao término de 2017. E consegui. :)
É um número bom e razoável, e acho que será meu objetivo mínimo a partir de então.
Mas vamos ao que interessa. Os lidos foram, nessa ordem (mais ou menos):

O Grupo (Mary McCarthy) / De Bar em Bar (Judith Rossner) / Grande Hotel (Vicki Baum) / Marnie (Winston Graham) / História de Pobres Amantes (Vasco Pratolini) / Bel-Ami (Guy de Maupassant) / O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry) / A Filha do Silêncio (Morris West) / Dedos de Pianista (Charles Kiefer) / Zona Morta (Stephen King) / O Segredo (Rhonda Byrne) / O Garoto Quase Atropelado (Vinícius Grossos) / Os Lobos (Alexandre Storch) / Dezessete Luas / Dezoito Luas (Margaret Stohl e Kami Garcia) / Drácula (Bram Stoker) / O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald) / A Letra Escarlate (Nathaniel Hawthorne) / A Metamorfose (Franz Kafka) / Senhor das Moscas (William Golding) / O Homem Invisível (H.G. Wells) / Ensaio Sobre a Cegueira (Saramago) / Perdas e Ganhos (Lya Luft) / A Máquina do Tempo (H.G. Wells) / Contato (Carl Sagan) / A Ignorância (Milan Kundera) / A Garota na Teia de Aranha (David Lagercrantz) / As Variações de Lucy (Sara Zarr) / A Cela de Vidro (Patricia Highsmith) / O Livros das Coisas Perdidas (John Conilly) / A Vida Secreta das Abelhas (Sue Monk Kidd) / Últimas Tardes Com Teresa (Juan Marsé) / A Estrada das Flores de Miral (Rula Jebreal) / Pelos Olhos de Maisie (Henry James) / Apanhador de Sonhos (Stephen King) /  A Guerra dos Mundos (H.G. Wells) / Martin Luther King - Personagens que mudaram o mundo (Valerie Schloredt e Pam Brown) / O Emblema Vermelho da Coragem (Stephen Crane) / Bilhões e Bilhões (Carl Sagan) / 1Q84 - Livros 1, 2 e 3 (Haruki Murakami) / Múltipla Escolha (Lya Luft) / O Amor Começa no Inverno (Simon Van Booy) / Mar Inquieto (Yukio Mishama) / Charles Darwin - Personagens que mudaram o mundo (Anna Sproule) / Vozes de Tchernóbil (Svetlana Alexievich) / Insana - Meu Mês de Loucura (Susannah Cahalan) / A Abadia de Northanger (Jane Austen) / Homens Sem Mulheres (Haruki Murakami)

Livros escritos por mulheres (algumas autoras repetem): 17
Livros escritos por homens (alguns repetem também): 33
Um dia essa discrepância vai acabar, AMÉM.

Maior livro: Apanhador de Sonhos, do King, com 816 páginas.
Menor livro: Dedos de Pianista, do Charles Kiefer, com 64 páginas.

Autores consagrados que li pela primeira vez em 2017: foram vários, mas escolho aqui os que eu mais queria ler e que já estavam no meu imaginário há tempos; os ''principais'': F. Scott Fitzgerald, Franz Kafka, Saramago e Carl Sagan.

Alguns livros que decepcionaram (livros que me decepcionaram não necessariamente são livros ruins, vale constar): O Pequeno Príncipe (desculpa, mundo), As Variações de Lucy (sério, Sara Zarr, por que você?1?!?!?!??), A Guerra dos Mundos (nem um do Wells foi muito bom, na real) e A Abadia de Northanger (do novo não foi o ano em que Jane Austen conseguiu deixar de me decepcionar).

Alguns livros que me surpreenderam positivamente: De Bar em Bar, Marnie, Senhor das Moscas, Trilogia 1Q84 e O Amor Começa no Inverno.

Alguns clássicos consagrados que conheci em 2017 e que vale constar (de novo), cujos nomes você provavelmente já ouviu (nem todos me conquistaram): O Pequeno Príncipe, Drácula, A Letra Escarlate, A Metamorfose, Senhor das Moscas, Ensaio Sobre a Cegueira, A Guerra dos Mundos e Contato.

Autores revelação do ano que AMEI conhecer: Saramago, Carl Sagan, Murakami, Svetlana Alexievich, Simon Van Booy. <3333

A saga favorita de 2017: 1Q84 (Haruki Murakami) <3 

Livros nacionais de que mais gostei: nossa, li bem poucos nacionais (shame on me), mas cito os da Lya Luft, SEMPRE. 

Autor que mais li: Haruki Mukami (4 livros).

Um ou mais terrores bons: embora não considere nenhum tããão terror assim e tenha lido poucos livros que se enquadrem minimamente nessa categoria (apesar de gostar muito), cito dois queridinhos, Drácula (QUE AMOR) e Apanhador de Sonhos (do Stephen King, pra variar).

Uma ou mais fantasias boas: O Livro das Coisas Perdidas SENHOR QUE AMOR ESSE LIVRO QUERO MUITO PRA SEMPRE AMÉM.

Um ou mais livros com um bom suspense: Zona Morta e O Apanhador de Sonhos, ambos do King.

Um ou mais livros de ficção científica que amei: Contato, do Sagan. Não tem como ser mais ficção científica do que esse livro. <3

Livro com um mistério que me transformou numa prima pobre e fracassado do Sherlock Holmes: A Letra Escarlate não gira taaanto em torno desse mistério, mas descobri sim quem foi o cara que engravidou a Hester (o que também não é muito difícil porque são poucas opções e o autor nem se preocupa em esconder muito, mas enfim, sou prima pobre mesmo).

Livros com romancezinho: não esnobo de todo romances, mas tive que ficar um bom tempo caçando algum entre a lista de lidos e foi difícil achar algo que me marcou. Não prestei muita atenção nisso nos livros desse ano, diferentemente da retrospectiva do ano passado, em que o casal de Eva Luna (<3) me veio à mente de cara. Mas aí lembrei que amei muito o romance de Bruno e Hannah, no primeiro conto do livro O Amor Começa No Inverno. Sem dúvida foi meu casal favorito do ano.
''-O que vamos fazer?
Gostei de ela ter perguntado isso.
Significava que sentíamos a mesma coisa um pelo outro.''

Uma ou mais biografias inspiradoras: queria ter lido a da Malala no finzinho do ano, mas apesar de até chamar a bibliotecária pra caçar ele comigo nas estantes da biblioteca (ele tava lá, eu vi!), alguém levou o bendito e não encontramos. MAS li a pequena biografia do Martin Luther King, de uma série da qual tenho alguns títulos, e QUE-FUCKING-HOMEM.
Até chorei porque tava naquele período emotivo do mês, se é que vocês me entendem sou bem boba mesmo.

Um ou mais livros baseados em fatos reais: sem precisar nem conferir a lista e pensar muito, cito Vozes de Tchernóbil e Insana, dois dos meus queridinhos do ano. <3

Um ou mais livros que também são filmes: tem vários, mas vou citar os dois livros cujos filmes homônimos eu assisti, que são Ensaio Sobre a Cegueira (gostei) e A Guerra dos Mundos (a crítica odeia e eu marromenos).

Um ou mais livros que me fizeram refletir: foram mais do que esses, mas cito especialmente Senhor das Moscas e Ensaio Sobre a Cegueira, de novo (esse último é claramente pensado pra fazer o leitor ficar suspenso na teia de reflexões que o livro tece; né, Saramago?).

Chorar: O da biografia do Martin Luther King, o artigo escrito pela ex-esposa do Sagan em Bilhões e Bilhões, Vozes de Tchernóbil e Insana (pois é).

Rir: O Segredo, porque ele é ridículo num nível cômico.

Uma capa amada e uma capa detestada: a amada foi dO Livro das Coisas Perdidas (a resolução da imagem do link está péssima e não faz jus à beleza da capa), que é bem o tipo de capa que você fotografa pra postar no instagram, e a detestada é de Apanhador de Sonhos, com uma imagem bem feinha e confusa (um livro do King merecia mais).

Livros que abandonei: O Desafio Mundial (porque né) e Últimas Noites Perto do Rio (o início foi um marasmo só e pulei fora sem tentar muito; se alguém leu e acha que vale a pena, pode me dar um toque).

Demorei pra ler: Os Lobos, que é um livro bem denso e complexo sobre a II Guerra Mundial e que eu li no mesmo período cagado em que tava com O Desafio Mundial, e Homens Sem Mulheres, que é curtinho (duzentas e poucas páginas) e rápido, mas demorei umas duas semanas (praquele livro e com meu ritmo, esse é um tempo absurdo) pra ler porque, como dito, chutei o balde geral nos últimos dias do ano e esse foi o último livro de 2017, então...

Livros que devorei em poucos dias: olha, teve livros lidos em 1, 2, 3 dias, então meio que vários? Mas cito A Metamorfose, um dos que li em um dia (o que não é grande mérito porque ele tem só 90 e poucas páginas).

Livros que são coletâneas: foram três coletâneas de contos (Dedos de Pianista, O Amor Começa no Inverno e Homens Sem Mulheres) e uma de artigos científicos (Bilhões e Bilhões).

Uma capa amada e uma capa detestada: a amada foi dO Livro das Coisas Perdidas, que é bem o tipo de capa que você fotografa pra postar no instagram, e a detestada é de Apanhador de Sonhos, com uma ilustração bem feinha e confusa (um livro do Sthepen King merecia mais).

Livros que entraram para a minha lista de favoritos DA VIDA em 2017: Marnie, Zona Morta, O Livro das Coisas Perdidas, Ensaio Sobre a Cegueira, trilogia 1Q84, O Amor Começa no Inverno, Vozes de Tchernóbil e Insana. <3

Personagens que mais gostei: Mina Murray, de Drácula; Marnie, de Marnie; Johnny, de Zona Morta (#casacomigojohnny); a inominada Mulher do Médico, de Ensaio Sobre a Cegueira; Aomame, Tengo e Fukaeri, de 1Q84; e Bruno e Hannah, de O Amor Começa no Inverno.

Personagem que virou crush: acho que a resposta acima já deixou claro (#casacomigojohnny2).

Três piores livros do ano:

O Segredo: caaaaaaarrrrraaaaa, O Segredo foi tão zoado que ele virou uma espécie de lenda satírica da minha estante. Já falei sobre ele (e todo o meu inconformismo com a birosca) no link do título, mas pra quem estiver com preguiça, é um livro de metafísica que dita que atraímos as coisas nas quais pensamos, de um jeito totalmente místico em que as nossas forças e energias se conectam com as forças do universo, dançando juntas num arco-íris até que voilá!, você ficou rico porque o cofre de um bilionário de Abu Dhabi (sem identificação nem endereço que possibilite a devolução através dos correios) que estava sobrevoando o Brasil em seu helicóptero acabou caindo no seu quintal depois de uma turbulência (tem turbulência em helicóptero, né?) ou algo do tipo (juro). É um troço totalmente WTF assim mesmo (eu transcrevi alguns trechos na resenha, CONFIRA AQUELA JOÇA) que me deixou sem saber se eu socava minha própria cara ou gravava num CD pra dar aos meus amigos de natal (com Roberto Carlos tocando ao fundo) só pra nós podermos rir juntos.

As Variações de Lucy: gente, que decepção (falei um pouco aqui). Eu tinha lido um livro da Sara Zarr (Como Salvar Uma Vida) que virou um dos favoritos de todos os tempos, e ainda recomendo muito, então fui com toda a gana pra cima desse e quebrei a cara DEMAIS porque, mesmo para um YA despretensioso, ele é péssimo. É sobre uma pré-adolescente pianista profissional que larga a carreira depois que a avó morre e por causa da pressão absurda da família, só que NÃO SEI POR QUE RAIOS a autora inseriu um pseudo-romance entre a CRIANÇA e o novo professor de piano de seu irmão, UM HOMEM CASADO DE 33 ANOS. A coisa não vai pra frente e não dá pra saber se tá tudo na cabeça da menina, mas há uns momentos de flertes muito bizarros que me deixaram com cara de WHAT THE HELL IS GOING ON HERE?!?! Não leiam essa droga jamais.

Mar Inquieto: (falei um pouco aqui) esse ficou numa competição forte com O Homem Invisível (primeiro livro do Wells que eu li, cuja escrita, embora eu diga que seja ''boa'' na resenha, passou bem longe de me encantar, e a cada livro seu fico mais convicta de que ele ''não é pra mim''), porque ambos me acrescentaram a mesmíssima quantidade de vários nadas durante a leitura. Eu terminei e fiquei ?/??????? Só que O Homem Invisível, embora fique MUITO longe de virar um favorito meu, ainda tem um certo conteúdo e até uma mensagem. Mar Inquieto não tem isso. Ele foi tão, tão vazio de qualquer significado, e isso aliado a uma escrita que não me cativou nem um pouco, que eu realmente cheguei no final e disse aquele ''putz...'' desanimado, frustrado e seco que parte o coração de qualquer um, sabe? Hahaha (droga). Enfim, não leiam. É perda de tempo.

E, finalmente, os três melhores livros do ano (na ordem em que os li):

Ensaio Sobre a Cegueira: uma epidemia de natureza desconhecida toma conta do mundo e deixa as pessoas (todas elas, com exceção da Mulher do Médico) cegas, fazendo com que muitas sejam confinadas em quarentena pelo exército, situação em que conhecemos mais a fundo nossos protagonistas. Mas, naturalmente, nenhuma estratégia dá certo e a sociedade entra em colapso, fazendo com que as pessoas comecem a lutar pela sobrevivência como num verdadeiro Jogo Voraz. Esse foi o cenário que Saramago usou para dissecar de maneira magistral vários problemas sociais, de ordem individual e coletiva, de uma forma tão visceral e escrachada que chega a doer, porque cada leitor vê muito do próprio mundo retratado ali. 
Ensaio Sobre a Cegueira é um livro que nos diz e mostra coisas, e fica claro que Saramago tinha a intenção de cutucar várias feridas com essa obra - coisa que ele conseguiu, porque não ganhou um Nobel de Literatura à toa.
Esse é mais um daqueles livros pra você ler antes de morrer, vai por mim.

Contato: uma astrônoma que sempre acreditou na existência de vida extraterrestre inteligente trabalhava numa estação espacial buscando indícios (mensagens, mais precisamente) que pudessem embasar suas hipóteses, até que ela de fato detecta um conjunto de códigos sendo transmitidos através de rádio (a substância), vindos da constelação de Vega, numa mensagem que, antes mesmo de ser decodificada pelos maiores matemáticos do mundo, sabe-se que não poderia estar rondando pelo espaço cideral por obra do acaso. E assim a vida de Ellie e a existência de toda a humanidade viram de ponta cabeça por causa das implicações desse contato que dá nome ao livro.
Sagan usa esse plot para escrever uma das melhores obras de ficção científica de todos os tempos, unindo a literatura como lazer ao instrumento de questionamentos, introduzindo uma série de questões que cercam o imaginário comum desde que o mundo é mundo, com perguntas a respeito da origem do universo, vida pós-morte, sentido da vida, existência ou não de entidades divinas que criaram isso que a gente chama de Tudo com "t" maiúsculo, além, é claro, de nos questionar sobre vida e inteligência extraterrestre.
Quando terminei o livro, talvez por falta de delicadeza, não tive instantaneamente A Certeza de que ele estaria entre os três melhores do ano, mas depois de 50 livros lidos e um bom olhar em retrospecto, toda a maravilhosidade dessa obra ficou gritantemente evidente na estante de 2017, tal como todos os elementos incríveis e a qualidade inegável que fizeram-na se destacar entre outros 49 livros. (E acho que ele tem o meu final favorito do ano. ❤)
Por isso, elenco Contato no TOP 3 do ano com a certeza e a paz do que é certo.

Vozes de Tchernóbil: já esse livro eu concluí pensando QUE LIVRÃO DA POR** certo que entra nos 3 melhores do ano, sem esforço algum (também foi mais fácil deduzir isso porque foi lido em dezembro, mas enfim, não vamos estragar o brilho). Svetlana Aleksiévitch (um dia vou aprender a escrever o sobrenome sem olhar no google, amém) é uma jornalista russa incrível que tem diversos livros-reportagem publicados, geralmente contando histórias ou expondo personagens que permaneceram ocultos do conhecimento geral por muito tempo (e que infelizmente assim continuam para muitos até hoje). Nessa obra ela segue a mesma fórmula (que é mais a pungente necessidade de contar histórias, comum aos que nasceram para escrever, do que uma fórmula) para nos revelar narrativas escondidas (e, depois de mais de 30 anos, já esquecidas) de pessoas vítimas da acidental explosão radiativa ocorrida na usina nuclear de Chernobyl. Conhecemos todo tipo de pessoas aqui, e mais do que um relato sobre um evento isolado e catastrófico, Vozes nos mostra retratos fiéis da raça humana como um todo, através de diversos recortes que partem o coração da gente e nos fazem ficar parados encarando a parede, o céu ou a árvore mais próxima pensando em como as coisas são, a vida é e nós somos, com todas as nossas tristezas, dores e pequenos e grandes desastres.
Svetlana também ganhou um merecidíssimo Nobel de Literatura, e mesmo que você seja uma daquelas pessoas que não dão credibilidade alguma a grandes prêmios, e mesmo que eu só tenha lido esse livro da escritora, posso te dizer que a academia acertou e muito ao escolhê-la, porque Vozes de Tchernóbil também é, sem dúvida, outro livro que você precisa ler antes de morrer. Todos nós precisamos.

E depois do TOP 3, encerro essa retrospectiva com uma citação que ficou no meu coração:

''A liberdade é o mais empolgante dos terrores da vida.''
-O Amor Começa no Inverno, Simon Van Booy

Keep reading!

Essa retrospectiva tem categorias inspiradas em várias retrospectivas literárias que vi em diversos blogs diferentes, alguns dados do skoob e algumas categorias pensadas por mim.
(Vou tentar organizar melhor as categorias até ano que vem, porque algumas me passaram uma impressão confusa e esse tipo de coisa tosca faz com que eu perca o sono à noite, porque meu cérebro é loko.)