16/07/2017

O Homem Invisível

De H.G. Wells
O título não me era estranho, porque esse foi mais um livro inglês ao qual tive contato pela primeira vez através de um seriado americano, o Todo Mundo Odeia o Chris (AMO É MINHA VIDA NA TV POR MOTIVOS DE PROTAGONISTA QUE SÓ SE FERRA). Inclusive me senti tentada a usar a série como ponto introdutório dessa resenha, dissertando sobre meu amor infindável por ela, porque [essa é provavelmente minha sitcom favorita, da infância e da vida, o Julius é o melhor personagem, as merdas que acontecem rendem muita identificação pessoal e simplesmente tô fazendo merchan de graça aqui mesmo] a verdade é que, sobre o livro, eu não tenho muito o que dizer.
Amei essa capa por motivos de: sinistrinha.
Ele não é ruim e tem, na verdade, uma linguagem bem acessível e fluída sem ser simplória, além de uma mensagem a passar. Eu só não tenho o que falar e ele não me rendeu grandes impressões porque essa mensagem já foi assimilada por mim em muitas outras obras lidas ao longo da vida. Foi parte do ensinamento que já pude internalizar com O Médico e o Monstro, Frankenstein, Marina, A Passagem e é um fundamento que inúmeras outras histórias buscam explorar em várias outras estantes por aí.
E que lição é essa? O conhecimento apreendido e aplicado, se tiver motivações erradas e partir de mentes instáveis e erráticas, tem chances de enveredar para um caminho torpe que resultará em consequências fatais.
O homem invisível do livro é um cara que, estudando com afinco durante anos a parte da física que diz respeito à ótica, ondulatória e propagação da luz, descobre uma maneira de alterar a química do próprio corpo de forma que ele não reflita mais a luz e se torne invisível (avá). Quando atinge seu objetivo, no entanto, não sabe como reverter o processo de invisibilidade e passa a enfrentar diversos percalços, confusões e conflitos com as pessoas que não podem vê-lo, esbarram na rua com sua forma transparente e visualmente imperceptível e saem desesperadas porque SOCORRO EU BATI NO NADA E O NADA DISSE ''AIIII'' E TEM ALGUMA COISA ERRADA DEVE SER O DEABO, entre outros dramas. 
As motivações que ele tem para tal achado também são ridiculamente egoístas e reprováveis. Ele só pensa em chegar a essa descoberta para poder desfrutar as vantagens que ela lhe proporcionaria. Quando vai contar a um antigo colega de faculdade a história de seu experimento, após refugiar-se na casa dele de uma multidão louca que o perseguia, sua frase mais recorrente é: ''eu queria muito descobrir uma maneira de ficar invisível porque imagina as vantagens que isso poderia oferecer a um homem!''. Seus ideais torpes ficam evidentes, e somando a isso a maneira com que ele se porta ao longo do livro, sendo um cretino sem medidas, é meio complicado nutrir alguma admiração pelo protagonista.
Há, inclusive, quem relacione o processo de manifestação da sua invisibilidade física que torna sua forma exterior insípida e incorpórea ao mesmo processo interior de fragmentação e anulação de seus princípios éticos e morais. Há, portanto, a possibilidade de perceber essa analogia entre os dois meios de supressão de sua essência humana, tanto física quanto abstrata. Quanto mais vai submergindo em sua nova identidade fisicamente invisível, sua estruturação moral também vai se tornando debilitada e insossa.
E, como quem quer nos ensinar que esses caminhos não são recomendáveis, o autor guarda um destino bem trágico ao nosso homem invisível, mostrando como aquela condição acabou privando-o de contato humano e compaixão, quando tudo que ele conseguia ter por onde passava eram conflitos, confusão e antagonismo.

''É uma criatura que entrou em guerra com sua própria espécie.''

Então, o livro tem uma mensagem a passar, sim, e é recomendável para quem busca isso; tal mensagem só não me tocou em grande medida porque, tendo lido livros que evidenciam esse mesmíssimo diálogo entre autor e leitor (e muitos deles publicados depois de O Homem Invisível), essa mensagem se tornou um pouco ''batida'' para mim - não porque ela tenha sido abordada de maneira superficial, pobre ou enfadonha, mas porque foi um tema já muito recorrente em minhas leituras.
Ainda assim, a escrita do cara é boa, simples e precisa, e está recomendada aqui pra quem quer embarcar numa obra leve de ficção. Além disso, vale constar que H.G. Wells se tornou um nome notório porque ele foi o primeiro autor de ficção que deu explicações científicas (embora fictícias) para os fenômenos descritos em seus livros. Existe um longo trecho em que o homem invisível nos mostra cada ponto do desenvolvimento de seus estudos em busca da invisibilidade, e é engraçado pensar que antes desse hábito descritivo ser adotado com mais frequência, tudo o que havia no mercado ficcional não levava em conta explicitar qualquer tipo de argumento baseado em métodos científicos - mesmo que ficcionais e impossíveis, repito - e não havia muito quem atentasse a essa falta de explicação narrativa.
As obras de Wells foram, portanto, um marco na literatura, e eu respeito isso demais.
Após ler a tradicional biografia que fica na orelha do livro e pesquisar a respeito dele, descobri que O Homem Invisível foi apenas um livro de uma série de obras pioneiras na abordagem de diversas questões hoje exploradas em abundância em várias tramas da ficção científica, tais como a viagem no tempo, conflitos com extraterrestres e experimentos científicos com resultados doidos que garantem enredos diferenciados. Vários outros livros, filmes e séries desse nosso amado universo da ficção científica beberam da fonte de Wells, então podemos dizer que suas histórias foram pilares fundamentais na construção desse gênero.
Como boa admiradora das doideiras a que a ficção científica dá espaço, fiquei contentíssima ao saber disso e verificar que na biblioteca em que sou sócia outros títulos desse cara ocupam as estantes em abundância.
Concluo essa resenha, então, dizendo duas coisas: a) se tu gosta do gênero e tem curiosidade para conhecer um dos autores mais rudimentares que difundiram esse estilo, leia Wells, ele é meio que histórico nesse cenário, e b) você certamente vai ler muitas outras resenhas feitas em cima das obras dele por aqui (e eu tô pensando especialmente em A Máquina do Tempo e Guerra dos Mundos; aguardem). ^^

Uma citação:
''ANTES DE FAZER AQUELA EXPERIÊNCIA MALUCA EU TINHA PENSADO EM MIL VANTAGENS; NAQUELA TARDE, SÓ SENTIA DESAPONTAMENTO. PASSEI EM REVISTA TODAS AS COISAS QUE UM HOMEM PODE DESEJAR. SEM DÚVIDA A INVISIBILIDADE ME AJUDARIA A CONSEGUI-LAS, MAS TAMBÉM TORNARIA IMPOSSÍVEL DESFRUTÁ-LAS. A AMBIÇÃO, POR EXEMPLO... DE QUE ADIANTA OCUPAR UMA ALTA POSIÇÃO QUANDO NÃO SE PODE SER VISTO ALI? O AMOR? DE QUE SERVE O AMOR DE UMA MULHER SE CADA UMA DELAS PODE SE TRANSFORMAR NUMA DALILA? [...] O QUE ME RESTAVA FAZER? ALI ESTAVA EU, UM MISTÉRIO ENFAIXADO DOS PÉS À CABEÇA, UMA CARICATURA DE HOMEM COBERTO DE ATADURAS!''

2 comentários:

  1. (Seu post me lembrou que tem um livro do Well parado aqui em casa há DÉCADAS, obrigada, inclusive é A Máquina do Tempo hehehe)
    E poxa, se o cara só queria proveitos pessoais, talvez fosse melhor inventar sei lá, um negócio que a J.K chama de CAPA DA INVISIBILIDADE, né?
    (Nem sempre eu comento, mas gosto tanto dos seus posts que fico entrando aqui sempre pra saber se tem novo hehehe *me abraça*)
    Beijinhos <3


    Limonada (antigo Novembro Inconstante)

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    1. Hahaha, eu tive que rir comigo aqui quando li seu comentário (coisa mais linda que alegra minhas chegadas nesses cantos doidos dessa internet de meu Deus) porque a primeira coisa que fiz quando vim aqui foi atualizar a página pra ver se tinha algo novo no blogroll (eu quero baixar o app do feedly pra agilizar esse processo) e aí no topo do blogroll POST DA TATI DO LIMONADA ÊÊÊÊÊÊ NÃO ME CIGUREM QUE EU VOU LER!!!!! (Coisas bonitas pra ler no blogroll alegram meus momentos de vida *feelings*)
      E aí li e aí comentei e aí vi que tu também tinha comentado aqui e agora tô respondendo e as conversas ficam loucas espalhadas por todo canto dos nossos bloguinhos e socorro já tô perdida mas amando essa dinâmica doida. <3

      (Sério, que amor teu comentário entre parênteses, obrigadaaaa!!! - esse meu trechinho aqui também tá entre parênteses pra copiar e rolar metalinguagem - que tu mencionou no post do livro, cê veja que eu tô ligada - também! <3)

      Que tri que tu tem Wells aííí! :D

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Olá, muito obrigada por tirar um tempinho seu pra comentar nas coisas que escrevo [nesse blog esquisito e meio fracassado] no KraheLake! Eu amo responder e interagir aqui com gente estranha (sim, você) o suficiente pra ler e acompanhar o que eu escrevo.
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O-BRI-GA-DA! =D (Eu sei separar sílabas, olha que incrível.)