19/04/2019

Welcome To The Office

Então eu assisti The Office. E amei cada minuto.
E como seria uma verdadeira HERESIA (além de uma falta de humor imperdoável) escrever um texto que se pressupõe sério sobre essa série que é zoeira do início ao fim, e como eu não poderia deixar de escrever alguma coisa mais significativa, vou fazer essa postagem totalmente despretensiosa na esperança de convencer mais alguém a dar uma chance à serie e se encantar com aqueles personagens desmiolados e com aquele escritório nonsense tanto quanto eu.
A série é em formato de documentário (mockumentary, aqueles documentários zoados, sabe?) e acompanha o cotidiano dos funcionários de uma empresa de papel de Scranton, chamada Dunder Mifflin. Só que o que parece muito ordinário à primeira vista na verdade se revela palco de bizarrices monumentais dignas de registro, principalmente por causa do gerente da filial e chefe de todos, Michael Scott (Steve Carrel), que é um palhaço assumido (mais palhaço do que ele se reconhece, na verdade), completamente pirado e uma criatura de personalidade e manias bem peculiares.
Além dele o escritório também conta com um elenco nada esquecível de funcionários, cada um com características e hábitos bem fora da curva. Unidos ao chefe não-patologicamente-louco-mas-ainda-assim-louco que têm, os vendedores, contadores, funcionários de RH, secretária etc da Dunder Mifflin acabam sendo protagonistas (a metalinguagem aqui é livre, já que eles de fato se sabem personagens de um documentário) das situações mais absurdas e bizarras já registradas por uma câmera em toda a história das empresas de papel - e em toda a história das séries, se me permitem dizer.
Quer dizer, você consegue imaginar o tipo de situação que levou os personagens, membros DE UM ESCRITÓRIO, a se encontrarem nessa condição?
Ou nessa?
E que tal essa? Consegue adivinhar o que culminou NISSO?
Eu aposto que não.
The Office é insana.
Pra não me perder em devaneios apaixonados falando sobre como a série CUROU A MINHA ALMA, vou apresentar cada um dos personagens mais memoráveis (TODOS) a você aqui, pra te coagir descaradamente a ir se apegando a eles a partir de agora mesmo, pra mitigar todas as chances de que você desconsidere a ideia de conhecê-los por conta própria. Espero que os ame tanto quanto eu.
Seja bem-vindo/a ao escritório.

Michael Scott, o chefe
Ele é a alma da coisa toda e Dunder Mifflin não seria tão pirada se não fosse por ele.
Michael se orgulha de ser antes um amigo do que um superior de seus funcionários e faz de tudo pra tentar ser o melhor chefe do mundo. Constatar que não é querido por seus subordinados seria uma tragédia pessoal para ele, que tem um coração enorme - tão cheio de amor quanto de nonsense.
Pra manter esse clima de amizade, ele fica 100% do tempo fazendo piadinhas e brincadeiras com todos na filial e adora dizer que tem o melhor e mais aguçado humor de todos... Só que ninguém mais compartilha dessa opinião e fica todo mundo olhando com cara de WTF pra ele quando ele faz piadas e brincadeiras absurdas achando que tá arrasando.
A maior parte do tempo a gente fica se perguntando como raios ele conseguiu esse emprego e, o que é mais absurdo ainda, COMO ele ainda não foi demitido.
Toda a dinâmica da Dunder Mifflin é encabeçada por Michael em sua determinação em fazer com que a empresa seja o melhor ambiente de trabalho possível. Para tanto o escritório tem trocentas festas mensais em toda oportunidade possível, com direito a comitê de festas, comida e decoração, reuniões convocadas do nada motivadas por propostas disparatadas, jogos pra acalmar os ânimos do pessoal, sessões de cinema e toda uma agenda estapafúrdia que só Michael consegue justificar.
Dunder Mifflin não é a mesma sem ele porque ele criou e vive o que é a Dunder Mifflin de The Office todos os dias, dentro e fora do expediente.

Dwight
O Dwight se autointitula o braço direito de Michael (embora o chefe não lhe dê todo o crédito, apesar de ter inventado um cargo - sem qualquer aplicação real - pra tranquilizar o amigo: assistent to the regional manager) e é seu fiel escudeiro, pronto pra largar o que estiver fazendo e atravessar o deserto do Saara por sua lealdade a ele.
Ele tem um jeito meio nerd convencido, acompanha ficção científica religiosamente, se acha mais esperto que todos, se veste sempre com as mesmas roupas caretas, tem um cabelo ridículo, acredita em teorias da conspiração, é extremamente arrogante e pretensioso e vive sendo grosseiro com aqueles que julga inferiores e, portanto, indignos de qualquer afinidade com ele. O único que ele respeita é Michael, e os dois vivem se envolvendo em atividades extra-protocolares juntos.
Ele é um dos personagens mais exóticos de The Office. Também tem uma fazenda de beterrabas (produto orgânico com o qual ele jura que vai enriquecer) com seu primo ALTISTA Moose, que ele acaba transformando em pousada/centro de eventos variados e estranhos em determinado ponto, um dos cenários mais bizarros que a série explora de vez em quando, cheio de rangidos à noite e gritos misteriosos.
Dwight tem tantas características, hábitos e obsessões diferentes e atípicas que é impossível abordar todas aqui. Então faça a gentileza de descobrir por conta própria e me poupar da prodigalidade. :)
Diria que depois do Michael, a maior parte do espírito da série se deve a ele. E apesar de ser um cretino, a criatura conseguiu me conquistar.

Jim
Jim é o baluarte da sanidade em The Office e ele, juntamente a uma outra personagem da qual já vou falar, divide o protagonismo com Michael e é um dos funcionários cuja perspectiva mais acompanhamos e com quem nos envolvemos mais intimamente.
Normalmente ele é o cara que olha para as câmeras do documentário no meio de um surto de piração da filial e nos direciona um olhar cúmplice de quem reconhece a doideira em que está metido, num momento de intimidade entre personagem e telespectador que conseguimos ter só com ele, praticamente.
Mas Jim também abraça a zoeira de vez em quando e seu principal hobby é aprontar pegadinhas contra o Dwight, sejam elas colocar utensílios da mesa do colega dentro de gelatinas (achei muito original), simular convocações da CIA ou armar uma caça ao tesouro e espalhar as pistas falsas deixadas lá por um suposto patriarca e fundador da Dunder Mifflin pra que o outro cace até enlouquecer. Ele é capaz de despender semanas, meses e até anos trabalhando num plano maligno contra o colega, sem ligar para todo o esforço necessário para que ele seja executado. Amo esses dois. ❤
Jim também tem uma quedinha pela Pam, a secretaria do escritório, de quem vou falar logo, apesar dela ser noiva de um cara do depósito. Os flertes tímidos deles e as caras de bobo e de tacho são um amor.
Jim é divertido, charmosinho e um cara bacana. Amo ele. ❤

Pam
Pam, como dito, é a secretária do escritório e cumpre uma função bem parecida com a do Jim, parecendo ser uma das pessoas a quem nos associamos ao ver o quanto ela percebe a loucura que é aquilo tudo.
Ela e o Jim são bffs ali dentro e nos compadecemos com ambos metidos naquela insanidade sem ter pra onde fugir.
A Pam é um amorzinho, tem aquela doçura meio ingênua e meiga, mas separa momentos para se deixar levar pelas loucuras, aprontar contra o Dwight também e ser sarcasticamente humorada quando precisa.
Embora esteja encalhada num noivado de anos, ela fica meio confusa com seus sentimentos por Jim, e isso rende muita história.
Pam também tem inclinações artísticas, então se prepare pra ver rabiscos seus pelas temporadas.

Phyllis
A Phyllis, embora não seja tão idosa assim, é a Tiazinha Oficial do escritório, aquela que tricota nas horas vagas e presenteia todo mundo com luvas de forno de tricô. Ela é bem sensível e fofinha, correspondendo a vários estereótipos de vovozinha, mas não se enganem: às vezes ela pode ser bem cética diante das mangolices dos colegas, irônica e até meio rude, se preciso.
Ainda assim seu lado ingênuo se destaca e ela se abala facilmente com comentários negativos dos colegas e quando sente que não está sendo apreciada.

Stanley
Stanley é um senhor negro de meia idade e um dos meus favoritos em The Office (na verdade essa é a série em que todos são meus favoritinhos; é engraçado, mas não há nenhum personagem que eu desgoste rigorosamente). Ele é bem rabugentinho e está cem por cento nem aí pra tudo o que ocorre no escritório, sempre com uma expressão hilária (que frequentemente me fazia engasgar em milésimos) que é uma fascinante mescla de que porr* tá acontecendo, danem-se vocês, são tudo louco, me deixem em paz, que tédio.
Sua única preocupação é ficar no seu canto sem ser incomodado e ir embora quando o relógio marcar o fim do expediente. Só.
Nas reuniões alopradas e despropositadas do Michael, ele está sempre com um jornal e palavras cruzadas na frente da cara, nem um pouco a fim de qualquer interação.
Ele é ridiculamente tedioso e eu amo ele ridiculamente.

Kevin
Kevin é o bobão do escritório, que tem uma burrice engraçadinha beirando a inocência. É aquele que tem fama de possuir o menor QI do recinto. Ele também é o personagem acima do peso que mais é zoado por conta disso, porque é o que encorpora a gula de maneira mais escrachada, sempre sonhando de olhos abertos com um pedaço de picanha e ficando hipnotizado e indeciso diante da máquina de comidas.
Apesar da ingenuidade, ele é um bobo alegre e amor de pessoa que eu gosto demais. (Também toca bateria numa banda surpreendentemente boa.)

Oscar
Oscar é o cara informado e CDF do escritório, o intelectual da jogada que sempre tem considerações a fazer sobre todos os assuntos que surgem, muito bem embasado em tudo. Ele também é o personagem mais tenso e introvertido de The Office, que nunca consegue adotar uma postura relaxada e é sempre pé no chão, tentando desiludir as idéias bizarras do Michael e desmotivar suas empreitadas absurdas, falhando miseravelmente, claro.
Ele também se revela gay em dado momento e sua sexualidade acaba sendo bem explorada na série - como a comédia zoeira que ela é, lembrando.
Acho ele um amorzinho apesar da postura intocável e também é um favoritinho meu.

Meredith
A Meredith é a bêbada à margem da sociedade e delinquente em potencial interrompido do escritório. Vive numa casa que é um ninho de rato, tá sempre tomando umas biritas escondida no expediente e falando sobre sua desinibida vida sexual com parceiros nada convencionais. Permanentemente com cara de ressaca, ela tem uma total falta de escrúpulo diante das convenções sociais e regras do ambiente corporativo. É uma perdida na vida que acabou encalhada na empresa porque realmente não conseguiria nada melhor.
Todo personagem de The Office acrescenta à aura desvairada da Dunder Mifflin, e Meredith também, com toda a sua marginalidade. Gosto de todos eles, inclusive dela, mas acho que é a personagem a que fico mais indiferente e que me causaria menos sofrimento se saísse da série.

Angela
Angela é a personagem mais rabugenta do escritório. Está sempre rude e grosseira ostentando uma cara fechada que denota o desprazer constante de ter que compartilhar sua existência com aquelas pessoas que ela julga tão inferiores.
Ela nunca é simpática com ninguém e só sorri quando fala de seus gatos - Angela é uma inveterada crazy cat lady.
Autoritária (líder da comissão organizadora das festinhas do escritório, inclusive), arrogante, rude, antipática, cretina, ela e Dwight têm uma química perfeita que (spoiler?) é desenvolvida ao longo da série.
Por mais que ela seja uma TOTAL E COMPLETA DESGRAÇADA, gosto muito dela e vivo me divertindo com os comentários ácidos em que ela revela o ser humano desprezível que é... O amor pela série claramente me tirou toda a capacidade crítica de formular juízos morais coerentes, desculpa sociedade.

Creed
Ele é o arquétipo de velhinho meio perdido na sociedade moderna que não sabe ligar o computador ou enviar um email, mas em outros aspectos é um senhorzinho nada convencional. Um dos personagens mais misteriosos do escritório, seguidamente deixa escapar comentários enigmáticos sobre suas atividades fora do serviço, que não sugerem nada de lícito e só nos fazem mergulhar em ponderações um tanto perturbadoras - e igualmente divertidas - sobre o que ele faz quando as câmeras não estão olhando. Ele é claramente o cara a quem você recorreria se precisasse esconder um corpo e ninguém se surpreenderia se o FBI batesse na porta da Dunder Mifflin pra detê-lo por assassinato, por exemplo, sei lá. Deu pra sacar a vibe?
Mas o que é mais legal é que ele continua sendo absurdamente adorável e fofinho (outro estereótipo relacionado à velhice, mas me deixe ser feliz) apesar de toda essa aura meio sombria, mesclada a seu aspecto inofensivo e ares de tio perdido na era digital. Um amorzinho. 
É definitivamente um dos meus favoritos.

Toby

O Toby é um amorzinhooooo! Amo ele!
Toby é o cara do RH e o único subordinado que Michael detesta declaradamente e faz questão de atormentar (sabe esse GIF famosíssimo, que foi, a propósito, meu primeiro contato com a série e o que me fez decidir assisti-la? É o Michael reagindo ao Toby), um contraste enorme em comparação a sua contínua determinação em ser o melhor chefe do mundo para todos os outros funcionários. Acontece que Toby é responsável por manter um ambiente harmonioso e dentro dos limites éticos e corporativos na Dunder Mifflin, e Michael obviamente adora extrapolar esses limites com suas piadas bizarras e comportamento anômalo com o intento de fazer do escritório um local "divertido". Toby acaba sendo uma coleira para Michael e então o ressentimento e a rivalidade estão na mesa. Eu ficava com tanta peninha do Toby e raivinha do Michael nessa dinâmica de hostilidade, haha.
Ele é todo contido e sem jeito, meio dosengonçado, inseguro, meio tímido, fala de em jeito hesitante que denota seu desconforto enrustido em estar naquele ambiente em que é antagonizado e isso tudo, de um jeito estranho, me fazia achar ele um amorziiiiiinho. *---*
Toby é outro favoritinho (eles não tem fim).

Kelly
A Kelly é indiana e o arquétipo de guria desmiolada e fútil que fala pelos cotovelos e sabe mais sobre o cotidiano de celebridades do que qualquer outra coisa. Embora esteja lá pra corresponder a esse estigma óbvio de menininha burra, eu achava ela hilária e adorava sua participação sem sentido.
Ela não cala a boca e fala uma besteira atrás da outra de um jeito que deixa a gente abobalhado no meio de tanta nonsense. Comigo isso acontecia de um jeito bom e eu amava a Kelly - apesar de saber que não aguentaria dois segundos de conversa com ela na vida real, porque é um tipo conciso de pessoa evitável para mim.
Ela é um sarro, gente. A atriz acertou demais na hora de compor aquela demente, haha.

Ryan
O Ryan entra com a gente no escritório no primeiro episódio da série, como estagiário, e os planos de fazer da Dunder Mifflin um emprego de passagem enquanto cursa administração vão pro brejo quando ele permanece lá temporada após temporada.
Ele é meio meninão e, embora seja meio contido, traz aquela ar de jovialidade ao escritório que fica abafado em meio a tantos senhorzinhos e senhorinhas antiquados.
O meu favorito é o Ryan das primeiros temporadas, que fica imóvel junto com a gente com cara de WTF sem entender como pode algo como a Dunder Mifflin existir. Depois o personagem acaba enveredando pela cretinice - mas eu continuava gostando dele mesmo assim porque, como dito, a série demoliu minhas reservas.
Ele tem um rolo estranho com a Kelly (apaixonadérrima) que rende muito, a propósito.

Andy
Andy entra depois das primeiras temporadas vindo de outra filial e é um porre a princípio, todo enraivecido e metido (eu achava que nos odiaríamos até o fim)... Até ir a um tratamento de controle de raiva depois de um surto no escritório e voltar um amorzinho, o maior bobo alegre que você respeita.
Ele é todo querido com as pessoas e sempre tenta agradar com seu humor meio batido, sorrisos e piadas bobas das quais só ele ri. Também é meio inseguro e sempre parece dar passos em falso na empresa, por ser um péssimo vendedor.
Ele também veste ternos xadrez e calças vermelhas, rosas e verdes (destoando dos outros personagens de vestimentas mais sóbrias e tediosas) e na minha opinião isso já é um motivo para amá-lo.
Outro amorzinho meu.

Erin
A Erin entrou depois para substituir a Pam como secretária quando a primeira troca de função. Ela é burra feito uma pedra, bem tontinha, nunca saca o que tá acontecendo nas entrelinhas, se deixa enganar por todo mundo, tá sempre boiando... Mas é um amorzinho (tô usando muito esse adjetivo, eu sei) de pessoa. Toda simpatia e sorrisos, ela é absurdamente gentil e receptiva com todos.
Eu me irritava com ela no início, mas aos poucos ela vai se encaixando na dinâmica doente da Dunder Mifflin e fica difícil lembrar da série sem ela, então eu passei a amá-la demais.

Darryl
Darryl é o Cara do Depósito. O responsável pelas entregas de papel, transporte e armazenamento, na garagem enorme embaixo do escritório, onde muitos outros homens brucutus trabalham. Existe rivalidade entre as duas seções, porque o pessoal do depósito vive chamando o pessoal do escritório de mauricinhos e fracotes (a eterna briga hoje ilustrada através da dicotomia raiz vs nutella), e eles compram a briga se tocando em competições absurdas e patéticas no meio do expediente.
Mas enfim, o Darryl é um sarro. Ele é irônico por desânimo e inconscientemente engraçado.
Vive zoando o Michael subliminarmente por causa das "idéias interraciais" do chefe, ensinando-lhe gírias, expressões e gestos de gangue completamente zoados. Ele entra na zoeira e tá sempre sacaneando Mike implicitamente com um sorriso irônico e ambíguo no rosto.
Nem precisaria dizer, também é um favorito meu.

E essa é a galera de The Office, gente que eu acompanhei durante dois meses deliciosos que passaram voando só por causa deles.
Vale constar que o humor de The Office não é do tipo sutil que te fisga com comentários de duplo sentido sagazes e subliminares. A série incorpora o humor em seu estado mais extravagante, jogando a comicidade na sua cara de um jeito indisfarçável que em nenhuma hipótese conseguiria passar despercebido. Não é uma série que você deve assistir se não estiver disposto a encarar o absurdo - até o grotesco. Sua identidade humorística é o impensável, ela se concentra no extremo, por isso eu penso que é uma série que suscita amor ou ódio, sem meio termo.
E se você é uma pessoa de moralidade severa, pode ser que não se agrade tanto assim também, porque a série manda às favas o politicamente correto e faz piada com todas as condições e situações patéticas que perpassam a existência daquelas pessoas, sejam elas manifestas através de momentos constrangedores ou defeitos pessoas (físicos ou não). Ou seja, se você estivesse em The Office, seria zoado em algum momento por algum motivo (eu apostaria na minha CARA), isso é FATO, seja por ser desengonçado, gordo demais, magro demais, estranho demais etc...
Não acho que ela cruze a barreira do humor negro além do tolerável, mas provavelmente isso está aberto a diferentes interpretações. A minha moralidade também é ambígua, então não sou a pessoa mais indicada pra usar como parâmetro (e quem é?).
E vale dizer que nada disso chegou perto de abalar meu amor por The Office.
Mas em suma, esqueça qualquer pretensão de refinamento estilístico no humor se for dar uma chance à série. The Office é absurda. E eu espero do fundo do coração que o absurda te atraia.
Pra que eu não comece a divagar tarde demais, fiquem com esse LipDub sensacional, uma das minhas entradas favoritas, uma bênção dos céus:
E com The Fire Drill. Porque, segundo minhas próprias leis, esse post seria proibido de existir se eu não linkasse the fire drill.
Além de tudo isso (juro que estou acabando), The Office também traz momentos muito lindinhos, e um arremate final de aquecer o coração. A série passa nove anos (!!!) documentando a vida de pessoas comuns, ordinárias, funcionários de uma empresa de papel. Quem iria se interessar por esse contexto e por quê? Provavelmente ninguém. No entanto, são nove temporadas anos em que muitas coisas incríveis, coisas insanas, coisas surreais e maravilhosas acontecem, com aquelas pessoas tão simples, tão todos nós, tão gente como a gente. Porque isso é possível, porque a vida é assim e porque é por isso que ela é linda e vale a pena.

''I THOUGHT IT WAS WEIRD WHEN YOU PICKED US TO MAKE A DOCUMENTARY. BUT, ALL AND ALL, I THINK A PAPER COMPANY LIKE DUNDER MIFFLIN WAS A GREAT SUBJECT FOR A DOCUMENTARY. THERE'S A LOT OF BEAUTY IN ORDINARY THINGS. ISN'T THAT KIND OF THE POINT?''

02/04/2019

Toda Poesia

Do Paulo Leminski

ONDE ESTARÁ MEU VERSO?
EM ALGUM LUGAR DE UM LUGAR,
ONDE O AVESSO DO INVERSO
COMEÇA A VER E FICAR.
POR MAIS PROSAS QUE EU PERVERTA,
NÃO PERMITA DEUS QUE EU PERCA
MEU JEITO DE VERSEJAR.

Eu sempre fui uma pessoa de prosa que sempre teve problemas com poesia. Apesar de já ter topado com obras que me deixaram estupefata de encanto, de maneira geral, eu encarava o gênero através da ótica daquele pedantismo impessoal falsamente atribuído a ele. Mas antes do pedantismo, o que me incomodava na poesia era o formalismo, as convenções, diretrizes e normas escritas sem as quais um poeta e um poema não conseguiriam escalar a estante dos clássicos de grande sucesso.
Rima, métrica, parágrafos milimetricamente projetados, linhas calculadas, palavras contadas. O processo de articulação de um poema, eu havia lido muitas vezes, era minuciosamente organizado, sempre levando em conta regrinhas e especificações inevitáveis, cuja falta os acadêmicos e críticos não perdoariam. Isso envolvia a poesia numa aura inacessível de superioridade aos meus olhos, e a colocava num pedestal onde nem todos poderiam alcançá-la e que ficava reservado aos mais cultos e instruídos, à esfera acadêmica ou qualquer balela do tipo, eu pensava (não objetivamente, mas de forma internalizada e vaga).
Sendo assim, onde estaria meu verso?
Essas impressões não deixam de estar certas; muito na poesia se pauta nisso. Mas alguns poetas gostam de quebrar um pouco as regrinhas, o que é ótimo: é bom quando a arte e o artista, às vezes, ousam desprezar pré-requisitos que os castrem. A liberdade como uma de suas principais virtudes não está aí à toa.
Tendo isso em vista, essa minha aversão leve e tosca à poesia, é engraçado ver o quanto topar com Toda Poesia, um livro de Leminski, especificamente Leminski, foi uma coincidência certeira pra que eu me deixasse encantar pelo gênero e baixasse minhas reservas preconceituosas e dubiamente fundamentadas.
Existem algumas controvérsias na categorização da obra de Leminski, porque ele é tido por muitos como um poeta de vanguarda por sua formação intelectual (ele estudou num mosteiro, olha só) e não era muito próximo de nenhum poeta marginal; mas a ideia de que ele era um deles acabou se difundindo e sedimentando por definitivo graças a seus trabalhos em publicações alternativas e a sua adesão à contracultura, o que o faz ser um dos principais nomes dessa frente.
A poesia marginal, ou geração mimeógrafo, foi um movimento literário que surgiu na ditadura militar e que buscava se contrapor ao conservadorismo autoritário e tradicionalista com essa quebra simultaneamente debochada e séria de regras, onde os poetas escreviam de uma maneira trocista, descontraída, bem-humorada e irônica sobre a brutalidade e o cotidiano - e, por isso, sua obra não era divulgada nos meios mais conservadores e normativos e recorria a publicações alternativas. Sua forma escrita e estilística não seguia as normas, por isso era renegada pela academia e esses artistas receberam a alcunha de marginais, pois ficavam às margens do padrão das editoras e publicações ditas sérias na época.
Algo assim era justamente o que eu precisava ler pra descartar todas as minhas falsas impressões sobre poesia e cair de cara em outras obras, porque Leminski e o movimento oferecem uma antítese velada a tudo o que eu antagonizava (de um jeito babaca, lembrando) no gênero. Eles poetizam com a zoeira; é quase como se fossem os criadores de memes da poesia.
Poucas leituras na vida me deixaram num estado de encantamento tão embriagado quanto esse livro. Eu lia e terminava cada poema diferente sendo assaltada por uma vontade de sair saltitando de contentamento por ter tido contato com algo tão lindo, tão singelo, tão especial e divertido quanto aqueles trocadilhos e versos ora ridículos, ora belos, sobre o cotidiano e a vida da gente.
Agora, meses depois da leitura, me pego com dificuldade de me sintonizar com esses sentimentos de novo, e ainda mais ao tentar dar contorno escrito a eles, logo eu, que não sou uma Leminski, que não tenho esse dom de pegar o rodapé e trazer pro centro da página, dessa maneira sutilmente esparramada que não se consegue ignorar. Mas enquanto não faço uma releitura, dessa vez em meu próprio exemplar, porque esse é um livro que eu me obrigo a ter comigo, lembro bem que eu ficava com vontade de sair mostrando aquilo pra todo mundo e lendo em voz alta pro primeiro que aparecesse do meu lado (coisa que cheguei a fazer com uma das tias da limpeza lá do trabalho no meu intervalo, risos).
Ao mesmo tempo em que usa a simplicidade do concreto como objeto de divagação, Leminski faz poesia com o não-dito, com o implícito, com a entrelinha, com o subentendido. Coloca pra fora o silêncio em forma de verso. Fala antes sobre a luz do que sobre o sol. Dá formas ao abstrato.
E como se toda essa sensibilidade e delicadeza dele não fossem suficientes pra me desarmar, sua poesia é hilária, sarcástica, irônica, zoeira, e o bom humor, meu deus, SEMPRE me ganha.
Eu precisava disso, dessa aproximação, dessa identificação que ocorre entre semelhantes, precisava ver que poesia também poderia ser coisa pra mim, coisa de gente como a gente, pra poder mergulhar de vez nessa arte sem medo de me afogar.

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

Falar sobre o gênero abre um leque bem amplo de discussões dentro da minha cabeça, onde uma das principais questões é a ''sensibilidade artística''.
Eu tinha um pouco de receio e preguiça de ler porque havia internalizado a necessidade de toda uma preparação ridícula para que eu pudesse imergir nas obras, como se houvesse uma Carolina-Modo-Sensibilidade-Poética-On que eu precisasse ativar quando fosse encarar um poema, porque onde é que já se viu ler poesia de forma descontraída, leve, cotidiana, como se fosse qualquer coisa? Poesia é poesia, é clássico, é a arte dos intocáveis, é Shakespeare (eu ainda não gosto de Shakespeare, pra uma referência futura; quem sabe um dia?). Não dá pra ler de qualquer jeito, na fila do pão, no intervalo do trabalho, sentada no vaso. Eu preciso estar pronta, acessar a cultualidade que guardo no fundo do baú pros momentos em que preciso dar uma de entendida, mesmo que só pra mim mesma... Porque poesia é isso, certo? É o formalismo, as convenções, diretrizes, normas escritas, rima, métrica, parágrafos milimetricamente projetados, linhas calculadas, palavras contadas, a AcAdEmIa e todas aquelas coisinhas que já mencionei lá em cima. E se eu não estivesse pronta pra ser tocada por isso, se não estivesse disposta a ler poesia, seria por falta de sensibilidade artística minha.
Pensar isso era frustrante, porque eu sou bem sensível pra arte e pra vida - sem querer me gabar, até porque geralmente isso me ferra.
Só que abrir uma página e me deparar com
ameixas
ame-as
ou deixe-as
quebrou todo o gelo e fez com que eu ficasse me sentindo uma idiota por colocar a poesia num pedestal inalcançável pensando que não era pra mim porque eu nunca seria culta, inteligente e instruída o suficiente para entendê-la e me apropriar dela, quando na verdade tudo isso é uma grande bobagem e é pra mim também, porque se não fosse pra todos não seria arte, porque não deve ter mistério e porque ameixas, ame-as ou deixe-as.
Leminski leva a zoeira a sério, porque fazer rir é o jeito dele fazer pensar. 
Eu já tinha adorado Quintana, já tinha invejado e ficado embasbacada com os amores de Florbela Espanca, já tinha achado os sonetos de Neruda uma lindeza, mas nunca tinha sentido nada como o que senti com Leminski ao ler poesia, esse sentimento de gratidão por ter sentimentos cotidianos representados de formas tão sinceras, e tão bobas, como as que eu li ali. Eu também acho que nunca tinha rido com poesia, e isso provavelmente me ganhou mais do que tudo.
Ele não fala só sobre grandes amores, sentimentos intensos, romances idealizados e coisas dignas de clássicos; ele fala, às vezes, sobre um pedaço de pão, sobre a rua, sobre uma folha que voa com o vento até cair, e eu precisava de algo simples, banal e cotidiano assim com o que me conectar. Precisava de algo que não parece se levar a sério, porque ser sério o tempo todo cansa e às vezes a gente precisa rir e ser ridículo, pela manutenção da nossa saúde emocional.
Eu sempre tinha olhado pra poesia (acho que nunca repeti tanto uma mesma palavra num mesmo texto, desculpa aí pela falta de léxico, não sou Leminski) com os olhos de uma espectadora distante que assiste ao show por cima do muro, porque muito antes de não ter competência pra subir no palco, nem tem sensibilidade o suficiente pra estar entre a platéia. É é por isso que Toda Poesia se tornou um dos grandes livros que mudaram a minha vida (você, leitor/a, já deve ter encarado essa questão antes). Porque Toda Poesia me conectou com a poesia, e eu preciso frisar essa palavra em itálico, porque ela é a chave aqui. Eu precisava dessa conexão, desse fio, dessa linha que me levasse até o resto do novelo, e foi isso que esse livro fez.
Logo após o término da leitura eu me toquei em outras obras, de outros autores, que não eram poetas marginais, e parafraseando o que eu já disse antesfoi como se um outro universo, pelo qual eu sempre passava mas ao qual nunca atentava, se descortinasse à minha frente. Agora sinto vontade de ler poesia, e isso é algo que não me acometia antes, por causa de toda aquela preguiça, receio e barreiras das quais falei. E além de sentir vontade de ler, ela, mais do que isso, virou uma pequena obsessão, assim como o próprio Leminski, cuja menção ao nome te fará me ouvir tagarelar por horas, porque eu poderia falar pra sempre desse cara, de como ele preza a arte inútil, de como o surgimento da obra dele se dar no contexto de repressão política da ditadura militar é uma combinação perfeita, apesar de trágica. Talvez uma outra hora a gente converse mais a respeito, agora que finalmente achei o verso que faltava. ;)

nascemos em poemas diversos
destino quis que a gente se achasse
na mesma estrofe e na mesma classe
no mesmo verso e na mesma frase

rima à primeira vista nos vimos
trocamos nossos sinônimos
olhares não mais anônimos

nesta altura da leitura
nas mesmas pistas
a minha a tua a nossa linha

A poesia realmente é uma arte à parte, acho que todos concordamos, a começar pelo formato. Realmente não é como prosa. Realmente é diferente. As regras estruturais não são só besteirol, apesar de eu gostar de como Leminski as ignora - ou contorna. Poesia tem sim um pouco de transcendental. Mas todas essas especificações lhe fazem charmosa, e não intocável e inacessível como eu sentia antes, e é bom finalmente desconstruir essa percepção. Depois de vinte anos de vida, catorze alfabetizada e mais de dez lendo com vigor, já não era sem tempo.
Ainda sou uma pessoa mais de prosa, acho que sempre vou ser, mas a poesia ganhou seu devido espaço em mim. Talvez uma hora Shakespeare chegue aqui, mas até lá eu fico com Leminski.

MARGINAL É QUEM ESCREVE À MARGEM,
DEIXANDO BRANCA A PÁGINA
PRA QUE A PAISAGEM PASSE
E DEIXE TUDO CLARO À SUA PASSAGEM.

MARGINAL, ESCREVER NA ENTRELINHA,
SEM NUNCA SABER DIREITO
QUEM VEIO PRIMEIRO,
O OVO OU A GALINHA.

(Não consigo deixar de me martirizar por saber que tem um monte de outros poemas dele que eu não transcrevi aqui, porque como é que você não vai colocar esse poema, Carolina?, ele é tão Leminski!; mas eu jamais conseguiria incluir todos os melhores e mais zoeiros poemas do Leminski sem ter que pedir os direitos autorais pra minha própria versão de Toda Poesia, Volume II, uma edição reduzida e apaixonada. Então vá ler tudo já.)

26/03/2019

A Incendiária

Do Stephen King
Ficção científica e um Stephen King das antigas, é o que temos aqui.
Andy estava sem dinheiro na faculdade e topou passar por um teste aparentemente inocente de fármacos em que ele tinha 50% de chances de receber um placebo, sem saber que na verdade tudo era um experimento secreto realizado pela Oficina, uma organização científica gananciosa sem nenhum compromisso com o bem estar da população, com idealizadores que visavam ascensão e status sem hesitar em passar por cima de qualquer direito humano básico. Anos depois do ocorrido e agora portador de um poder perturbador que lhe permite dominar mentalmente outras pessoas, acarretando inúmeras sequelas físicas, sua única preocupação é conseguir fugir da Oficina com Charlie, a filha que teve com a esposa assassinada pela organização demoníaca, também uma sobrevivente do experimento, e que é uma espécie de híbrida que carrega o ''cromossomo sobrenatural'' intrinsecamente, por herança genética, diferentemente de seus pais, que só incorporaram as alterações fisiológicas do lote 6 depois do experimento.
Charlie é uma mutante puro-sangue e, portanto, uma sobre-humana muito interessante para as pesquisas e fins da terrível organização. E qual é o poder dela? Bom, o título já deixa evidente: Charlie é pirocinética, tem a incrível e aterradora capacidade de atear fogo no que quiser só com o poder da mente.
Nas quatrocentas e poucas páginas do romance, fazemos companhia a ela e ao pai em sua fuga e nos embates que travam contra a Oficina, passando por situações inimagináveis para uma criança de 8 anos.
Esse livro tem um estilo bem King em seus primórdios, em sua forma mais clássica e old school, como verificamos em Carrie e O Iluminado, por exemplo. Um jeito de escrever que se eu fosse associar a um jeito de fazer música diria que é uma escrita de garagem (analogia ótima, Carolina, meus mais sinceros parabéns pelo fiasco). Li numa edição bem antiga com aquela diagramação de ''livro velho'' que eu adoro, então tudo favoreceu a ideia de que eu estava visitando uma escrita menos recente, de início de carreira, como de fato é: A Incendiária é o sexto livro de King, publicado em 1980, apenas seis anos depois de seu primeiro livro.
Outra percepção que esse livro reforça é o apego do autor a crianças sobrenaturais como núcleo narrativo, como as que vemos nos dois outros livros supracitados. Eu amo esse tipo de plot; é bem interessante (e foge da regra Marvel e DC de como contar histórias de heróis, risos) ver como esses poderes se desdobram em personalidades em formação, diferentemente de como ocorre com adultos de caráter já calejado por todas as influências e malefícios possíveis. E crianças também são uns amores por si só.
Os dois protagonistas são muito cativantes. Andy é um amor de pai e pessoa, e Charlie é uma menininha muito sagaz e geniosa que chega a nos deixar até com um orgulhinho bobo diante de cada decisão acertada sua. Apesar da diagramação pouco prática do livro e da falta de tempo, eu não tive muitos entraves ao imergir na história, e a leitura foi fluída, sim. Amei acompanhar esses dois.
Porém, o livro sofre sim uma queda no ritmo no meio da história (quando o cenário passa a ser monotemático, graças ao destino dos personagens), que eu reconheço que pode ter afetado ou vir a afetar muito outras pessoas, dependendo da recepção de cada um ao estilo da narrativa. (Esse parágrafo foi um implícito ''recomendo, mas fique por sua conta e risco''.)
Outra coisa legal é a abordagem psicológica que King faz em cima da condição de Charlie: a menina tem um poder que SÓ acarreta destruição. Ela não voa, fica invisível ou tem ultravelocidade; em vez disso, ela TOCA FOGO em coisas. O poder dela nunca se manifesta de forma inofensiva, sempre ocorre a carbonização ou destruição completa de um objeto (aqui incluo seres vivos) receptor de toda aquela força. Por isso, os pais a criaram envolta numa redoma de cuidados paranoicos e medo, até terror psicológico, infligido, tudo para evitar ''acidentes''. Essa tensão contínua que perpassou todo o desenvolvimento da criança bugou a cabeça dela completamente e fez com que Charlie ficasse extremamente perturbada e amedrontada, sem ter a chance de aprender a controlar seu poder através de outro gatilho de contensão que não fosse o medo paralisante. A forma como o autor desenvolve e aborda isso e a progressão da personagem em si através desse ponto são bem interessantes.
Achei que há um pouco de anticlímax no final de A Incendiária, mas talvez eu só não tenha conseguido aproveitar bem o estopim de tudo. Porém, o desfecho é muito bem amarrado, todos os nossos personagens têm suas trajetórias concluídas sem pontas soltas... Às vezes de um jeito que nos deixa com uma vontadinha de chorar, mas tudo bem.
Não é impecável, mas foi uma ficção científica que eu gostei de aproveitar e adicionar à lista de bons livros lidos. Recomendo para apreciadores do gênero e principalmente, como sempre, para fãs do Stephen King.

''BEM, ALGUMAS COISAS SÃO MAIORES DO QUE NÓS DOIS, E OUTRAS COISAS SÃO MAIORES DO QUE TODOS NÓS.''

Agora, falando especialmente com quem já leu o livro: eu não tenho dúvidas de que o autor escreve por prazer e não é completamente norteado por interesses econômicos, mas vou ficar pra sempre ponderando ridiculamente sobre a quantidade de zeros após os algarismos iniciais na quantia que ele recebeu de patrocínio de uma certa revista aí por aquele parágrafo final. ;) Bitch I wish.