19/10/2018

Mescelânea - Setembro 2018

Mescelâneas são textos mensais que faço com comentários irrelevantes sobre livros lidos, filmes/séries assistidos e links visitados no mês em questão. Fique à vontade pra clicar no xis e fazer algo mais produtivo com a sua vida a qualquer momento. Sem ressentimentos.

Li 
Foram quatro livros esse mês: O Desaparecimento de Katharina Linden (Helen Grant), A Cidade Murada (Ryan Graudin), Joyland (Stephen King) e A Incendiária (Stephen King).
Um mês de YAs e King. :)
Peguei O Desaparecimento de Katharina Linden, um YA, na biblioteca da escola em que trabalho, o segundo de lá esse ano. Nos situa numa cidade alemã pequena em que meninas começam a desaparecer, e a protagonista Pia, uma garota que sofre o estigma de ''amaldiçoada'' desde a morte nada convencional da vó (que fucking EXPLODIU) e enfrenta bullying na cidade inteira, dá uma de Sherlock com o novo melhor amigo e colega, também desgarrado, tentando desvendar o mistério de tantos sumiços e acontecimentos misteriosos.
Esse livro foi uma delícia, tem gostinho de poltrona de casa ao lado da lareira (fogão a lenha, por favor; quem tem uma lareira no Brasil?) com chazinho e coberta de retalhos. Ele trás um conforto bem pitoresco, por mais sombrio que seja, e a medida entre o tétrico e o leve de um livro infantojuvenil foi balanceada pela autora com uma maestria que nem sei descrever.
No entanto, também acho que o livro se perde um pouquinho ao enrolar demais na vida pessoal de Pia. Se ele focasse mais nos eventos soturnos da cidade nos instigaria por bem mais tempo.
Mas recomendo, hein. Coisa mais doce lê-lo.
Depois peguei outro YA muito bom na biblioteca que me criou, o A Cidade Murada. Conta a história de três jovens sobrevivendo numa cidade asiática cercada por muros, sem leis e sem ordem, completamente condenada pela criminalidade, onde praticamente só existem assassinos, traficantes e prostitutas... As outras camadas da sociedade tão tomando no lombo bonito.
É muito bom, talvez o melhor YA do ano (vamos ver), e eu recomendo pra caramba, especialmente porque a autora se baseou numa cidade que existiu de verdade e com o mesmíssimo sistema em Hong Kong, a cidade murada de Kowloon. Absolutamente assustador.
Aí eu li Joyland, do King, que conta a história de Devin, um universitário que embarca num trabalho de verão num parque de diversões e estende sua estada pelo ano inteiro depois de ficar obcecado pelo assassinato de uma moça, ocorrido no trem fantasma anos antes, cometido por um serial killer que nunca foi pego.
Mas o teor macabro acaba relegado a uma importância secundária, porque antes de ser um livro assustador, Joyland é extremamente sentimental. Uma leitura muito rápida e doce (pois é) que eu recomendo bastante, ótima para leitores iniciantes.
A Incendiária, também do King (eu meio que tô fazendo uma Maratona King, se ainda não ficou evidente), conta a história de Andy e Charlie, pai e filha, que fogem de uma organização capirótica que realizou um experimento científico secreto em Andy e na esposa (assassinada), antes do nascimento de Charlie, e agora vem caçando o pai e a filha, os únicos sobreviventes da coisa toda, pelos Estados Unidos. Só que Charlie é uma espécie de mutante puro-sangue, porque nasceu com o poder de atear fogo no que quiser com a força da mente, e agora a Oficina quer muito capturá-la pra poder ver até onde essa arma humana é capaz de chegar e poder lucrar/alcançar status acadêmico com isso. Então acompanhamos ela e o pai em suas andanças contra a Oficina.
É um livro muito bom e bem old school do King (eu já li uma boa quantidade de coisas dele, então chega um momento em que você fica especialista em reconhecer essas nuances. Se tu quiser se aventurar nA Torre Negra, a maior saga dele, com sete livro publicados no intervalo de cerca de 20 anos, fica bem nítida a evolução em sua escrita.). Ele se perde um pouco do meio pro fim (não cheguei a achar ruim, mas o ritmo e a dinâmica mudam bastante), mas recomendo demais.

Assisti
Foram três filmes (todos com belos plot twists, veja só) e seis temporadas de duas séries diferentes esse mês.

Watchmen
É o filme baseado na famosa HQ sobre um universo em que havia um grupo de heróis a favor da população, os Watchmen, que é reprimido e proibido de exercer suas funções (família Pêra manda beijos) quando as pessoas se viram contra eles porque o mundo, ele tá louco. Só que anos depois da ''aposentadoria'' um dos Watchmen é assassinado misteriosamente e vários outros começam a sofrer ataques, então uma parte relutante do grupo se junta pra ver que droga tá acontecendo, tudo enquanto eles precisam lidar com uma ameaça nuclear em escala mundial.
Eu AMEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIII.
Como era de se esperar, existem controvérsias entre os fãs, reações de amor e ódio, mas eu gostei pra caramba e ainda bem que assisti antes de ler a HQ e não fiquei julgando as liberdades tomadas na adaptação embora eu seja uma ferrenha crítica de certas liberdades tomadas em adaptações (PRECISO DA HQ E NÃO TEM NAS BIBLIOS EM QUE SOU SÓCIA E ESSA É CLARAMENTE A HORA DE VOCÊ MOSTRAR QUE ME AMA).
O filme tem um senso de humor mórbido maravilhoso, uma estética soturna, suja e maldita, um jeito de contar a história que eu adorei e achei que combinou demais com a adaptação de quadrinhos e enfim, recomendo fortemente.
Rorschach foi meu personagem favorito e a cena hilária e perturbadora dele fazendo o teste de Rorschach (é, ele tem o nome do teste) na prisão foi uma das melhores coisas que vi no cinema esse ano.
Ademais, esse é o único filme capaz de fazer uma cena de sexo ao som de Hallelujah não parecer pura ironização zoada.

Onde Está Segunda?
Estava na minha lista na Netflix (pude desfrutar da alegria moderna de ter Netflix durante um mês quase exato, até meu irmão bater no carro de um cara e o ajuste de contas ser debitado automaticamente do cartão dele que pagava o streaming, ferrando tudo porque aqui dinheiro não sobra e alegria de pobre dura pouco) e foi uma coincidência agradável minha cunhada ter escolhido justamente esse filme pra gente assistir numa noite em que ela veio aqui em casa.
Conta a história de sete irmas gêmeas nascidas numa distopia em que as famílias só podem ter filhos únicos porque a miséria generalizada acabou sendo gancho para um controle populacional brutal ordenado por um governo desumano. Qualquer nascimento ''extra'' é sumariamente condenado, por isso as sete irmãs vivem escondidas e foram treinadas pelo pai para ocuparem uma única identidade na sociedade fora do abrigo de sua casa, do qual cada uma sai apenas uma vez por semana, no dia de seu nome (são nomeadas com os dias da semana)... Até que Segunda não volta mais.
Eu tava bem cética, pensei que fosse mais uma distopia descartável que entrou na onda TAL QUAL BRASIL 2018, mas olha, gostei sim e recomendo. Tem até aquele finalzinho com plot twist meio WOW, o qual não sacamos previamente aqui em casa.
O carão da Noomi Rapace, de qualquer forma, faria qualquer filme lixo valer por mim.

Poder Paranormal
Só olhei pelo DeNiro. (Para Todos Os Filmes Que Só Olhei Porque O Nome Do DeNiro Estava Em Qualquer Mísero Canto Dos Créditos.)
Margaret e Tom são bem céticos e ganham a vida através de pesquisas com fenômenos paranormais e aulas sobre o assunto em uma universidade (existe isso, a propósito?). Eles não temem nenhum charlatão, até que Simon Silver, um paranormal cego muito famoso no passado, retorna, e Margaret, sempre muito valente, se sente intimidada por ter ter uma história com ele, o que faz com que Tom fique cada vez mais intrigado com o cara e acabe embarcando numa busca sinistra por respostas, por motivos muito pessoais que só descobrimos no fim (a tal reviravolta).
Olha, o filme tenta, mas acaba forçando a barra e não acho que consiga valer muito nosso tempo. Eu gosto da ideia do plot twist e dos olhos do Cillian Murphy, mas no fim, pra mim, ele só acaba valendo (mal e porcamente) pela Sigourney Weaver (que interpretou a melhor personagem de Avatar, amém), pelo DeNiro e pelo Cillian.

Hannibal
Um colega de serviço (thanx, Felipe) me recomendou Hannibal e depois do segundo episódio eu já estava me perguntando como eu não havia assistido a essa série antes, visto que ela obviamente é feita pra ser amada e louvada por mim.
Will Graham é um perfilador criminal com um dom incrível, quase mediúnico, que o permite localizar assassinos de maneiras quase inexplicáveis. Só que ele acaba imergindo tanto nas mentes dos psicopatas que isso tem lhe acarretado sequelas psicológicas terríveis e enlouquecedoras, o que o faz começar a se consultar com o renomado psiquiatra Hannibal, enquanto este o ''ajuda'' na caça aos criminosos... Só que Hannibal É O ASSASSINO CA-NI-BAL (olha que amor ele) DA VEZ (!!!!!) e toda a vida de Will passa a ser um jogo nas mãos do psicopata com suas sessões de terapia dissimuladas (e brilhantes).
Pensa num vício. Eu ENGOLI as duas primeiras temporada alucinadamente. É o tipo de produção feita pra mim, sabe? Ela tem momentos tão perturbadores sem apelar pra qualquer sobrenatural que eu ficava com um medo muito real e pesado (num nível vou assistir com a luz ligada, a janela lacrada e abraçada no meu gato) ao assistir aos episódios, o que não me acontecia há tempos com um suspense. Eles exploram a psicopatia de uma forma tão densa e perturbadora que a única reação possível é esse pavor frio e assombroso.
As duas primeiras temporadas são verdadeiras obras-primas, obrigatórias para qualquer cinéfilo que se preze, e eu totalmente acho que as coisas deveriam ter sido encerradas naquele final ATROZ da segunda. Seria a PERFEIÇÃO.
SÓ QUE eu nunca tinha visto uma série tão boa se perder tanto na minha vida. A terceira temporada, por motivos que nunca entenderei mas aposto em LSD rolando solto nos bastidores, desce uma ladeira sem volta que quase me fez chorar. Quase toda a identidade da série se perde e eu fiquei me perguntando o que carailos aconteceu com o diretor, com os roteiristas, com os produtores. Gente, qualéquefoi? Alguns personagens se perdem tanto que nem parecem as mesmas pessoas, e a salada de frutas bizarra que eles fazem é tão WTF, cheia de uns elementos absurdos inseridos num claro desespero, que eu me arrastei por mais da metade do mês só na terceira temporada, tendo assistido às duas primeiras em uma única semana.
A coisa degringolou tanto que fiquei de queixo caído. O final é absolutamente patético e plastificado e eu vou repetir pra sempre que tudo deveria ter acabado no fim da segunda temporada (eu sei que tem AQUELE desfecho, mas putz, não seria maravilhoso se eles nos deixassem embasbacados com aquilo mesmo e saíssem rindo de puro escárnio na nossa cara, como a vida faz todos os dias? Sim, seria!).
Olha, recomendo demais, mas só as duas primeiras temporadas, que valem CADA SEGUNDO. Depois vira bagunça.

Rick and Morty
Esse desenho me salvou. Terminei ele atirada desajeitadamente em uma poltrona reclinável (glória a Deus) de acompanhante de hospital, pra você sentir um pouco (uma lasca miserável) do drama que foi 2018Setembro.
Embora ame animes, eu nunca tinha dado a devida atenção a "desenhos adultos" e descartei a ideia de assistir Rick And Morty na primeira vez em que ouvi sobre porque é baseado em De Volta Para o Futuro e minha cabeça só dá atenção a "produções completamente originais", já que eu sou um porre.
Mas um dia tava lá de boa (MENTIRA) e vamos ver qualé a desse troço.
SEN. HOR.
Fiquei completamente viciada e toquei todo o resto da minha vida pra escanteio, pois #prioridades. 
Rick é um velhinho no melhor estilo cientista maluco que vai morar com a família da filha e recruta o neto, Marty, como seu ajudante oficial nas experiências e [OLHA SÓ QUE MASSA] viagens interdimensionais. O grande mote da série é o aparelho criado por Rick, uma espécie de pistola que cria portais através dos quais eles viajam para todos os mundos e realidades paralelas no tempo e espaço possíveis, vivendo experiências completamente absurdas e igualmente divertidas.
Isso é muito inteligente, apesar de simples, porque dá à série uma gama INFINDÁVEL de possibilidades, de modo que cada absurdo dela é perfeitamente justificável dentro de uma realidade em que toda variedade de mundos existe.
Os enredos de cada episódio são completamente insanos e não dá pra tentar descrever aqui, então faz o favor de assistir, sim?
O humor da série é aquele típico politicamente incorreto que cutuca feridinhas expostas e se diverte muito vendo o sangue jorrar. Perdão a todos, mas amei demais.
Mas vale lembrar que a série é adulta num nivelzinho ''tirem as crianças da sala'', com pitadas eróticas, comentários de duplo sentido escrachado e um protagonista que tá no extremo oposto de qualquer coisa que se encaixe na categoria ''exemplar'': Rick é um velho bêbado, rabugento e arrogante que não consegue concluir uma frase sequer sem soltar uns três arrotos (drunken esôfago claims for help).
Quer dizer, muito fácil amar.
Recomendo pra cacilds -Q?. Vai ser a terapia mais doida da sua vida (Will Graham poderia discordar).

Links
-Who will buy your book? Muito divertido, mesmo pra quem não planeja publicar uma linha sequer na vida, vai por mim.
-Arqueólogos apresentam provas de que uma mulher foi papa. Papisa Joana, senhoras e senhores.
-Carteiro Amigo dos Animais. Página do Angelo no facebook, um carteiro que quebra paradigmas que precisam ser quebrados. 
-How T-Rex lost its arms. <3 (Ou </3, sei lá.)
-Quando foi que gostar de alguém virou ofensa? Um pouco sobre aquele orgulhinho cult de ''ser só''.
-Dona Rosa e seu Russo, casal com 60 anos de casamento, mas sem nenhuma foto do grande dia, que ganhou todo um álbum marivilhoser de um pessoal querido em São Paulo em comemoração à união. <333
-Brazilian Elections with John Oliver. Rindo e chorando em meio ao caos.
-Por que votamos em Hitler. Uau (no pior sentido possível).
-E como eu me recuso a encerrar isso aqui falando do Bololor, Conheça os finalistas do prêmio de foto mais engraçada do reino animal. Se serve de incentivo, fiz uma pessoa que está >humanamente< (porque aqui nóis é crente e a esperança realmente vai ser a última a morrer, amigo) no que os médicos dizem ser uma espécie de estágio terminal rir com isso no hospital. ;) ...Mas ela também nunca foi muito difícil de entreter, admito.

05/10/2018

A Cidade Murada

Da Ryan Graudin
Hak Nam é um lugar sombrio e perigoso que abriga assassinos, traficantes, ladrões, prostitutas e os piores tipos de criminosos que vivem na obscuridade às margens da sociedade. É uma cidade murada constituída somente por prédios decrépitos cujos andares se empilham infinitamente, obstruindo a passagem da luz do sol e condenando os moradores a uma vida na escuridão. Um lugar sem lei, abandonado pelo resto do mundo, onde as autoridades não ousam entrar e em que a ilicitude e a criminalidade são a norma padrão e qualquer um que não se enquadre nela precisa de muita sorte para sobreviver e não acabar numa vala.
Mas Jin Ling não tem apenas sorte. Ela sobrevive como menina, num mundo em que mulheres são condenadas à escravidão sexual e maus-tratos, graças à sua astúcia e determinação... Além da velocidade. Jin finge ser um garoto maltrapilho para esconder de todos seu sexo, seu maior segredo entre aqueles muros, e não ser raptada por um dos bordéis horríveis da cidade, comandados pelos chefões do crime, o único destino possível para as mulheres em Hak Nam. Ela sobrevive com o que consegue roubar (geralmente de gangues eternamente em seu encalço) em seus corres. Jin é extremamente veloz e é com essa habilidade que ela permanece sobrevivendo à degradação daquele lugar do qual todos fogem, se mantendo firme em seu único propósito: encontrar a irmã mais velha, Mei Yee, vendida pelo pai aos Ceifadores, que a levaram à Hak Nam para servir de escrava sexual dois anos antes.
O único bordel que ela ainda não tinha vasculhado à procura da irmã era aquele comandado por Longwai, o chefe da Irmandade, o pior de todos os lugares e o mais difícil de acessar. Então Dai, um garoto misterioso, surge propondo-lhe (sem saber que ela é uma menina) um corre de drogas para a Irmandade, em que precisaria de um corredor excepcional como Jin, e a garota vê a oportunidade de finalmente procurar sua irmã naquele lugar tenebroso, apesar de todos os riscos.
Dai é um menino com um passado nebuloso que vamos desvendando aos poucos. Ele tem uma origem rica, quase imperial, e sabemos que está em Hak Nam para tentar cumprir um acordo que limpará seu passado de um evento tenebroso que o condenaria a uma vida sem esperanças. Mas ele sabe que uma ficha limpa não apagará os traumas que carrega consigo, já que o triste destino que seu irmão caçula teve foi em parte responsabilidade sua.
Para concluir sua missão com sucesso e cumprir o acordo feito com autoridades esquecidas naquela terra sem lei, ele precisa, assim como Jin, adentrar a fortaleza da Irmandade, o bordel que esconde os segredos mais obscuros da quadrilha dominante na cidade, e sua única chance é usar como fachada a postura de delinquente juvenil que ajuda no tráfico. Mas além da ajuda de Jin Ling (que não tem pleno conhecimento sobre as intenções do menino), ele descobre que seria essencial ter um contato dentro do próprio bordel, alguém que pudesse lhe fornecer informações que ele não conseguiria acessar de seu posto limitado como ocasional traficante. Alguém como uma das garotas exploradas e enclausuradas ali... Alguém como Mei Yee.
Mei Yee é uma menina muito doce que está perdendo toda a esperança que nutria num futuro em que conquistaria a liberdade e conseguiria fugir do bordel de Longwai, onde passou cada minuto dos seus dias e noites nos últimos dois anos. Ela não sabe mais como se manter forte e lúcida e passa mais tempo do que seria sensato encarando a única janela a que as meninas têm acesso no bordel, que por um privilégio incômodo fica em seu quarto, tentando imaginar quando e se ela poderá sentir o ar que corre do lado de fora em seu rosto novamente, mas sem ter nenhuma grande perspectiva.
Então Dai, esse garoto desconhecido, aparece em sua janela depois de escalar o prédio da Irmandade, com ideias que podem fazer os anseios de liberdade de Mei Yee irem além de meras ponderações.
Ao longo das quase quatrocentas páginas do livro são esses os três protagonistas que acompanhamos em capítulos intercalados em que o eu-lírico ora é um, ora é outro, nos permitindo adotar a perspectiva de cada um deles e assimilar todo o panorama em que se contextualiza a história, com um assombro especial quando sabemos de onde a autora tirou sua inspiração.
Depois de um certo tempo passei a ter receio de apostar em Young Adults, uma consequência natural de não ser mais a Carolina de 13 anos. Mas eu nunca fui burra o suficiente pra achar que YAs são categoricamente ruins ou besteira, e sempre penso no gênero com carinho, quando não com uma necessidade muito gritante de achar algum livro dentro da categoria que embalará algumas horas minhas com uma imersividade boa ao ponto de me distrair de tramas mais intrincadas e me fazer esquecer o quanto é chato tentar ter sempre uma ''mente de adulto'' COF COF.
A Cidade Murada é bom o suficiente para isso. Eu o devorei. Tem um enredo inventivo, personagens cativantes, uma trama bem desenvolvida e a dose certa de leveza que não pode faltar a um livro do tipo. Não é bom para um YA, é bom como um YA. Dá pra sacar a diferença?
Apesar dos temas pesadíssimos que aborda, ele mantém a leveza típica de livros voltados a adolescentes, então não espere uma coisa trevosa, bad vibes, suicidal e minha alma está definhando.
É um livro muito bom e a escolha perfeita para aquele interlúdio entre LeItUrAs AdUlTaS que ninguém deveria ser obrigado a enfrentar sem uma pausinha pra respirar e lembrar do quanto é gostoso poder se divertir lendo algo que foi escrito para pessoas com dez anos a menos que você. =]
Não posso concluir essa resenha sem falar que apesar da premissa do livro parecer uma mera distopia bem pensada, a ideia de Hak Nam veio à autora quando ela descobriu a cidade murada de Kowloon, coisa grotesca que realmente existiu em Hong Kong até o início dos anos 90, com uma dinâmica que se encaixa com exatidão no que Ryan Graudin descreve aqui: um lugar sem lei e perdido, dominado por quadrilhas, onde sobrevive o mais forte e dominam os mais cruéis.
Mesmo que o livro não te interesse de nenhuma forma, sugiro que pesquise sobre Kowloon ou pelo menos veja as fotos da área com seus prédios medonhos no google imagens. O absurdo dessa realidade que beirou o surreal não é nada desinteressante, e a perturbação sentida ao imaginarmos quantas Mei Yees, Jin Lings e Dais existiram (a existência dos dois últimos é improvável, eu sei; mas a da primeira certamente ocorreu aos montes) e sofreram de verdade e além das páginas de uma ficção distópica não pode ser ignorada.

''QUANDO ME ENCAROU, EU SOUBE QUE ELA ERA E NÃO ERA JOVEM AO MESMO TEMPO.''

22/09/2018

Sunshine Blogger Award

A Ana do A Teoria de Todas As Coisas me indicou pra esse meme (que eu já respondi quando ele tinha outro nome e era um pouquinho diferente, mas acho tão divertido #imatura que vale a repetição) num momento muito oportuno (obrigada, Ana!) porque eu tava querendo tirar a poeira desse blog (por mim mesma, já que me comprometer com assiduidade tá longe de ser uma preocupação aqui) com algo que fosse além das costumeiras resenhas e mescelâneas.
Minha maior contribuição ao universo da arte moderna.
As regras são: responder às 11 perguntas da Ana, criar mais 11 perguntas para os meus indicados e indicar 11 blogs (ainda sem condições, mas uns 5 eu acho que consigo).
Geralmente, nesses memes, a gente responde coisas que ninguém quer saber (a menos que você tenha um stalker); mas é divertido e essa é justamente uma das razões pelas quais eu tenho um blog, pra começar (=escrever coisas que não interessam a mais ninguém e me expor como se não houvesse amanhã). :D
Então HERE WE ARE. Vou tentar não passar vergonha (too little, too late).

As 11 perguntas da Ana:
1. O que você sempre quis ser quando crescer?
Sabe quando os adolescentes às vésperas de terminar o colégio e se preparar (ou não) para o infernal vestibular ficam incertos sobre o que querem cursar e fazer e se tocam numa espiral de incertezas e ponderações sobre o futuro, pesquisando carreiras e fazendo listinhas de prós e contras? Eu não vivenciei essa condição, porque desde criança sabia (com muita convicção, hoje em dia) que queria ser médica. Parece algo inato.
Minhas incertezas e dramas (e eu facilmente encheria umas 30 páginas no word falando disso, trust me), por outro lado, resultam da absurda nota de corte no vestibular, do eterno sentimento de que me faltam recursos e da assustadora passagem do tempo.

2. Qual o seu maior sonho atualmente?
Eu já falei de como quero ser médica? ;)

3. Indique 3 filmes para quem está lendo esse post.
Vou tentar transitar entre os gêneros pra conseguir alcançar o máximo de gostos possível, ok?
1-Os Suspeitos, um filme de suspense investigativo que foi o melhor do meu 2017, e que serve pra todo mundo com bom gosto, na minha [muito presunçosa] opinião. 
2-Tarzan, a animação de 1999, que foi o filme da minha infância (cresci querendo ser a Jane), e que é uma das coisas mais puramente lindas produzidas pela humanidade. Em momentos particularmente sensíveis, eu poderia chorar.
3-O Show de Truman, uma comédia-dramática-existencialista e o último melhor filme que eu vi, feito pra fazer o telespectador refletir e passar por belos blowmind a la Nazaré. O final me deixou em absoluto ÊXTASE.

4. O que você mais ama na internet?
A possibilidade de criar e possuir espaços (como os blogs), armazenar memórias, acessar informações e interligar coisas e pessoas das maneiras mais absurdas (sim, eu tô falando de memes) e improváveis.
Difícil escolher uma coisa só.

5. E o que mais odeia (na internet)?
Atualmente, a caça por problematizações impossíveis.

6. Por que você bloga?
Pela necessidade (e aqui parafraseio descaradamente a resposta à pergunta 4) de ter um espaço inteiramente meu (já que morar numa casa de seis pessoas + 3 cachorros e 1 gato restringe bastante minhas opções), no qual me sinto livre e capaz de armazenar memórias, momentos, pensamentos, sentimentos e essências...

7. Qual post mais gostou de escrever até hoje?
Amo fazer (e ler) retrospectivas (é a única coisa que integra o clima de fim de ano/ano novo que me agrada; por mim um buraco negro engoliria a humanidade no dia 24/12 e nos tocaria direto pro dia 03/01, mais ou menos, pulando ceia de natal, felicitações, reveillon etc, tamanha é a minha vontade de sair correndo de tudo isso) e amo livros, então escrever as retrospectivas literárias (aqui a de 2017, que tá meio bagunçada, mas já era) sempre é especialmente divertido pra mim.

8. Qual série está acompanhando?
Hannibal. Estou na terceira e última temporada. As duas primeiras foram absolutamente viciantes e maravilhosas, uma coisa feita pra cair nas minhas graças, se me permite dizer, mas o ritmo decai um pouco na terceira, então estou me arrastando.
Além disso, uma prima do Canada esteve hospedada na minha casa e ela e minha irmã começaram a assistir Friends comigo. Amanda, a prima, já assistiu tudo, porque era praticamente uma tradição na casa dela, e a Taiane, minha irmã, está na metade da série. Sou a novata das sessões e só consigo me perguntar como demorei 20 anos pra começar a assistir a essa bênção televisiva.

9. Netflix ou cinema?
Amo a sétima arte (apesar de ser uma entusiasta medíocre), então fica difícil escolher. Pra cada momento há um clima (e todos os momentos são propícios para o que quer que seja quando temos O CRUSH boas companhias), certo? Então eu prefiro não encará-las como categorias excludentes.

10. Sorvete ou chocolate?
Chocolate. Branco, de preferência; se for preto, com amendoim. Nunca fui tão fã de coisas geladas porque sempre tive a impressão de que meu paladar limitado acaba captando mais a temperatura do que o gosto do alimento (faz sentido?). Mas de qualquer forma, a intolerância à lactose me impede de afundar a cara nos dois - se eu não estiver disposta a me contorcer em agonia profunda como sacrifício. (Geralmente estou.)

11. Filme ou livro?
Se estivermos falando de adaptações/duas versões de uma mesma obra, e não de FILMES e LIVROS no sentido amplo (aqui eu também me absteria de escolher), o livro, por favor.

As minhas 11 perguntas (desculpa qualquer coisa):
1. Já que eu vou chutar o balde em algum momento, vamos começar com uma pergunta mediana e mais séria: com que frequência você chora?
2. Qual é o seu personagem favorito de Chaves e por quê?
3. Que outro nome além do seu (se é que tu gosta dele) você acha que seria perfeito pra ti? (Eu ficaria com Suzannah ou Jeni.)(Esse é o tipo de questão que me faço às três da madrugada de uma noite insone.)(Não que você queira saber.)
4. Qual é o seu planeta favorito do nosso sistema solar? (Saturno (por causa DOS ANÉIS de um trocadilho com meu sobrenome) e Netuno aqui.)(Não que você queira saber.)
5. Qual é o objeto mais aleatoriamente WTF que você tem no seu quarto?
6. Apelando pra um recurso visual: existe uma foto que você verdadeiramente se orgulha de ter tirado? Poderia postá-la aqui?
7. Você já fingiu estar chorando em depressão profunda e às vésperas de um suicídio para ver qual seria a reação do seu bichinho de estimação e ele totalmente cagou pra você como o meu? Se não, que tipo de experimentos desse tipo você já fez com seus pets (sejamos donos criativos interessados na amplificação dos conhecimentos etológicos, por favor)?
8. Já ficou com a mão presa dentro de uma lata de Pringles?
9. Como se lava uma peneira?
10. Você já esteve em uma situação em que realmente achou que iria morrer? Como lida com a morte, aliás? (Duas perguntas dentro de uma talvez seja trapaça. Pode escolher uma só, se você for muito ortodoxa.)
11. Você tem algum guilty pleasure ou não dá a mínima pra esse conceito?

Os meus indicados (perdão pelo vacilo):
Limonada (Tati, estou especialmente interessada na sua resposta à pergunta 7, porque sei que você está experienciando a maternidade doguínea WTF recente com a Paçoca. Não me decepcione), Wink (tudo que vai, volta, lei de Murphy etc, etc), DescompensadaNo Fundo Eu Sou Otimista e Love Is Enough.